Prova - 2ª fase
ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL
SECÇÃO SÃO PAULO
122º EXAME DE ORDEM
QUESTÕES - PROVA 2ª FASE
CADERNO - CIVIL
PONTO 1
Carlos celebrou com Pierre, artista plástico de renome internacional, contrato
por meio do qual este se comprometia a pintar, pessoalmente, 2 (duas) telas com
motivos alusivos à nova mansão campestre por aquele adquirida. Pelo trabalho,
Pierre receberia a quantia de R$ 200.000,00 (duzentos mil reais), dos quais R$
100.000,00 (cem mil reais) lhe foram adiantados, e as telas deveriam ser
entregues no prazo de um ano. Passado o prazo, Pierre entregou a Carlos as duas
obras de arte, as quais, contudo, foram elaboradas por Jacques, discípulo de
Pierre. Carlos negou-se a receber as obras, uma vez que havia especificamente
determinado que Pierre deveria ser seu autor.
QUESTÃO: Na qualidade de advogado de Carlos, promova a ação competente para
obter de Pierre o ressarcimento cabível. Considere que Carlos é domiciliado em
São Bernardo do Campo, ao passo que Pierre é domiciliado em Campinas.
PONTO 2
Mefistófeles e Aristides são sócios da Comércio de Alimentos Peloponeso
Ltda., sociedade empresária cujos atos constitutivos, apesar de assinados, não
foram levados a registro na Junta Comercial do Estado de São Paulo – JUCESP.
Aristides, administrador da sociedade, negociou junto ao Atacadista Central
Ltda. gêneros alimentícios no valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais), mas não
honrou o pagamento, apesar de a sociedade possuir recursos em caixa para tal. A
respectiva duplicata foi sacada pelo credor e está agora sendo executada,
acompanhada do comprovante de entrega das mercadorias. Em razão de a sociedade
ser irregular, a execução foi movida contra os sócios, contra quem também foi
sacada a duplicata. Recentemente, Mefistófeles foi intimado da penhora de bens
de sua propriedade para pagamento integral da dívida. O mandado de intimação foi
juntado aos autos há 5 (cinco) dias.
QUESTÃO: Como advogado de Mefistófoles, atue na defesa de seus interesses. A
execução tramita perante a 45.ª Vara Cível Central de São Paulo.
PONTO 3
João havia dado a Pedro um apartamento em usufruto, por prazo determinado.
Terminado o prazo, João foi obrigado a mover ação de reintegração de posse
contra Pedro, pois este se recusara a devolver-lhe o imóvel. Pedro moveu
reconvenção, pleiteando por sua vez indenização por benfeitorias necessárias que
realizou no apartamento durante a vigência do usufruto. A sentença julgou
procedente a ação e improcedente a reconvenção, sustentando que Pedro, por não
ter atendido notificação premonitória de desocupação, passou a ser considerado
possuidor de má-fé e, como tal, não teria direito a indenização pelas
benfeitorias necessárias. Pedro conforma-se com a devolução do imóvel, mas não
abre mão da indenização.
QUESTÃO: Como advogado de Pedro, tome a medida cabível. A sentença foi publicada
há 10 (dez) dias e o processo tramita perante a 50.ª Vara Cível Central de São
Paulo.
QUESTÕES PRÁTICAS
1. Paulo adquiriu um refrigerador nas Lojas Sul Ltda. Passados 2 (dois)
meses da compra, quando pela primeira vez foi descongelar alimentos, percebeu
que o freezer não estava atingindo as temperaturas adequadas e que os alimentos
que estavam ali armazenados haviam perecido. Depois de mais 2 (dois) meses,
comunicou o ocorrido à loja vendedora, que lhe pediu que aguardasse por 30
(trinta) dias, até que a gerência decidisse a forma de compensar Paulo pelo
ocorrido. Os procedimentos seguidos por Paulo e pela loja estão corretos?
Responda justificando adequadamente.
2. Erisvaldo recebeu de Claudenir um apartamento em locação, para fins
residenciais. Celebraram contrato escrito, com prazo determinado de 36 (trinta e
seis) meses. Passados 6 (seis) meses, Claudenir descobriu que Erisvaldo não
vinha pagando as quotas condominiais, como determinava o contrato, apesar de
estar em dia com os alugueres. Claudenir tem motivo para mover ação de despejo
contra Erisvaldo? Justifique e fundamente a resposta.
3. Adroaldo tem 50 (cinqüenta) anos e é viúvo. Edberto tem 30 (trinta)
anos e é casado com Ednalda, em regime de comunhão universal de bens. Pode
Adroaldo adotar Edberto? Justifique e fundamente a resposta.
4. João faleceu, tendo deixado os filhos Pedro e Maria. Pedro vive em
união estável há mais de 5 (cinco) anos com Sílvia, com quem tem três filhos.
Pedro renunciou à herança. A quem será deferido o quinhão que lhe
corresponderia? Por quê?
CADERNO – TRABALHO
PONTO 1
“A” ingressou com reclamação trabalhista contra a empresa “B”, pleiteando verbas
rescisórias a que faz jus, bem como horas extras e reflexos. Tendo sido a ação
julgada totalmente procedente, “B” interpôs, no prazo de 8 (oito) dias, recurso
ordinário, para reformar totalmente a r. decisão prolatada. Ao referido recurso
foi negado provimento, mantendo, na íntegra, o decisum de primeira instância. A
reclamante deu início à execução definitiva, apresentando os cálculos que
entende serem devidos. Após a contestação dos valores pela reclamada, o juiz
homologou-os dando razão à reclamante, tendo determinado, ainda, a expedição de
mandado de penhora. Com a certidão negativa do Sr. Oficial de Justiça, a
reclamante, diligenciando extrajudicialmente, encontrou um bem imóvel de
titularidade da empresa “B” e indicou-o para constrição. Foi certificado pelo
Sr. Meirinho a penhora do imóvel, contudo informou que a pessoa que lá se
encontrava mostrou um compromisso de venda e compra firmado entre “B” e “C”,
devidamente averbado, com data anterior à ação proposta.
QUESTÃO: Como advogado de “C”, entre com a medida cabível.
PONTO 2
“A” ingressou com ação pedindo vínculo empregatício. Após contestação
negando o vínculo, foi a ação julgada totalmente procedente, condenando a
empresa às verbas rescisórias, além de horas extras com reflexos, deduzido o
valor de gratificação paga ao término da prestação de serviço. Recorreu
ordinariamente a empresa. Subiram os autos ao Egrégio TRT, que manteve a decisão
de primeira instância. Recorreu de revista a empresa, tendo sido negado
seguimento ao seu recurso face ao não cumprimento das exigências do artigo 896 e
seguintes da CLT. Pela denegação do seguimento, interpôs a empresa Agravo de
Instrumento, postulando a subida do recurso. Ainda pendente de julgamento o
Agravo de Instrumento, abriu ex officio o juízo a quo a execução provisória,
intimando a reclamante a apresentar cálculos de liquidação. Por sua vez, a
reclamante quedou-se inerte, com o que o M.M. Juízo de primeiro grau intimou a
reclamada a apresentá-los. A mesma juntou os cálculos que entendia devidos,
apurando crédito correspondente a zero em favor do reclamante, diante da dedução
da certificação conforme previsto na sentença, sendo os mesmos homologados em
fase de execução provisória. A reclamante peticionou pedindo a nulidade da
homologação, com pedido de abertura de prazo para novos cálculos, por se tratar
de execução provisória. O juiz, em decisão terminativa, negou o pedido,
entendendo estar preclusa a matéria.
QUESTÃO: Como advogado da reclamada, entre com a medida cabível.
PONTO 3
José Praxedes foi contratado pela empresa DLX Ltda., no dia 21.01.1990, como
vendedor. Em sua CTPS constava que seu contrato de trabalho estava enquadrado no
artigo 62, I, da CLT. Cumpria jornada de trabalho das 7:30 às 19:30 horas, com
30 minutos de intervalo para refeição e descanso, de segunda a sábado, folgando
aos domingos. Para desempenho de suas funções, a empresa lhe forneceu BIP, carro
e custeava 200 litros de combustível por mês. Em 21.01.1999, aposentou-se por
tempo de serviço, mas continuou a trabalhar para a Reclamada, nas mesmas
condições. Foi dispensado sem justa causa em 14.12.2003, quando percebia
remuneração média mensal de R$ 1.500,00. Quando da homologação da rescisão,
constatou que a multa de 40% do FGTS somente incidiu sobre os depósitos
efetuados a partir de sua aposentadoria, e não de todo o período trabalhado.
Propôs Reclamação Trabalhista perante o Juízo do Trabalho de São Paulo,
pleiteando: horas extras e reflexos, ante a extrapolação da jornada diária de 8
horas; horas de sobreaviso, em virtude do uso de BIP; integração do salário
utilidade (carro e combustível) na remuneração e reflexos nas demais verbas do
contrato; diferença da multa de 40% sobre o FGTS do período anterior à
aposentadoria.
QUESTÃO: Como advogado da empresa, apresente a peça processual adequada,
fundamentando-a.
QUESTÕES PRÁTICAS
1. No Direito do Trabalho, sem se considerar a vontade das partes,
existem duas situações previstas em lei em que ocorre a responsabilidade
solidária, pelos créditos do empregado, entre duas ou mais empresas. Quais são
essas situações e quais os dispositivos legais que as prevêem?
2. Cabem mandado de segurança, correição parcial, embargos declaratórios
ou outra medida judicial contra sentença transitada em julgado, proferida por
juiz incompetente em razão da matéria? Em caso positivo, explicitar com
fundamentação.
3. Explique se a convenção coletiva de trabalho obriga inclusive as
empresas que, embora integrantes da categoria econômica, não são filiadas ao
Sindicato envolvido na negociação e tampouco tenham participado diretamente
dessa negociação.
4. À luz do que estabelecem a Constituição Federal e a Lei n.º 4.886/65,
a competência para conhecer e julgar ação de reconhecimento de vínculo
empregatício, proposta por representante comercial, é da Justiça Comum ou da
Justiça do Trabalho?
CADERNO – TRIBUTÁRIO
PONTO 1
Alfredo foi eleito para exercer o cargo de Diretor Administrativo da Transportes
Seabra S.A. na assembléia geral ordinária de 29.04.1996 e desempenhou essa
função até abril de 2003. Pouco depois de assumir o cargo, a sociedade foi
autuada pelo não recolhimento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e
Serviços devido por seus clientes, em operação pela qual era responsável
tributária nos anos 1994 e 1995. O auto de infração fora lavrado em maio de 1996
e foi definitivamente julgado na esfera administrativa em novembro de 2001, após
a apresentação de defesa da autuada. Em seguida, a Fazenda do Estado moveu
execução fiscal contra a sociedade e vários de seus diretores, para cobrança do
mencionado débito, dentre os quais Alfredo. Alfredo recebeu, há 10 (dez) dias, a
visita de um oficial de justiça, que o intimou da penhora de bens de sua
propriedade para pagamento da dívida.
QUESTÃO: Na qualidade de advogado de Alfredo, tome a medida necessária para
defender seus interesses. Considere que a execução fiscal foi proposta em São
Paulo, sede da sociedade.
PONTO 2
A União Federal, por meio da Lei n.º 9.999/01 (fictícia), instituiu contribuição
previdenciária incidente sobre pagamentos efetuados a pessoas jurídicas
prestadoras de serviços, à base de 20% (vinte por cento) do montante
efetivamente pago, a cargo do tomador. Com base nesse permissivo legal, o Banco
Industrial S.A. foi autuado pelo Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, em
razão de não ter recolhido a citada contribuição nos anos de 2002 e 2003,
incidente sobre os pagamentos efetuados à Bits Informática Ltda., empresa
responsável pela manutenção de sistemas do banco. A notificação fiscal de
lançamento de débito (NFLD) não foi impugnada na esfera administrativa e o
débito, no valor atual de R$ 200.000,00 (duzentos mil reais), está prestes a ser
inscrito na dívida ativa.
QUESTÃO: Na qualidade de advogado do Banco Industrial S.A., tome as medidas
judiciais necessárias para defesa de seus interesses. Considere que o Banco tem
sede em Santo André, ao passo que a Bits Informática Ltda. tem sede em São
Paulo.
PONTO 3
O Presidente da República, por intermédio da Lei Complementar n.º 22.222, de 31
de agosto de 2003 (lei fictícia), instituiu o Imposto Sobre Grandes Fortunas (IGF),
passando a exigir, a partir de 01 de janeiro de 2004, das pessoas jurídicas e
físicas, esse tributo, elegendo como base de cálculo exclusivamente o valor da
aquisição de imóveis urbanos adquiridos que supere, mensalmente, o importe de R$
100.000.000,00 (cem milhões de reais), mediante a incidência da alíquota de 0,3%
sobre o montante estimado a esse título. O Partido Político ABC, sediado em São
Paulo – Capital, não concorda com esta incidência tributária sobre imóveis que
adquire para o exercício de suas atividades.
QUESTÃO: Como advogado, ajuíze medida cabível para defesa dos interesses de seu
cliente.
QUESTÕES PRÁTICAS
1. Edmundo é acionista
minoritário de uma sociedade anônima, nunca tendo exercido poder de controle,
nem cargo de direção. Soube que a sociedade encerrou as suas atividades, sem
procedimento formal de liquidação e sem quitar suas obrigações tributárias.
Agora, Edmundo questiona-o se desse fato poderá advir-lhe alguma
responsabilidade pessoal pelos débitos fiscais. Qual sua orientação? Justifique
e fundamente a resposta.
2. Carlos é proprietário de vários imóveis que constam da relação de bens
anexa a sua declaração de imposto de renda, dentre os quais um de R$ 100.000,00
(cem mil reais). Agora, deseja vender esse imóvel por R$ 130.000,00 (cento e
trinta mil reais). Carlos deverá pagar algum tributo em razão dessa operação? Em
caso positivo, qual e por quê?
3. Lei do Município de Valetas instituiu, em 31.12.2003, imposto sobre
serviços de qualquer natureza, que passa a ser exigido, a partir de 1.º de
janeiro de 2004, dos prestadores de serviços de assessoria em informática.
Fundação instituída e mantida pelo Governo Estadual consulta-o sobre a
possibilidade de afastar a exigência sobre seus serviços prestados em janeiro e
fevereiro, com base na imunidade recíproca. Você concordaria com a existência de
tal direito? Justifique. Em caso negativo, poderia a exigência ser afastada por
outro fundamento?
4. O Município de Rio das Piranhas instituiu taxa de coleta de lixo,
exigindo dos proprietários de terrenos naquele Município, cobrada pelo valor de
R$ 150,00 (cento e cinqüenta reais) ao ano, independentemente de os terrenos
serem edificados ou não. Os terrenos são servidos por caminhões de lixo,
regularmente. Proprietário de um terreno de pequenas proporções procura-o,
inconformado, alegando: (i) que não é justo que seu lote, de pequenas
proporções, pague tanto quanto os terrenos de grande valor venal, e (ii) que ele
sequer utiliza o serviço, já que o terreno foi adquirido recentemente e ainda
não se iniciou sua edificação. Comente os argumentos do proprietário.
CADERNO - PENAL
PONTO 1
Mário, após violenta discussão com Antônio, agride-o com um cano, causando-lhe
ferimentos, ato presenciado por duas testemunhas. Durante o inquérito policial,
depois do primeiro exame em Antônio, realizado 15 (quinze) dias após o fato, ele
foi intimado para comparecer após 90 (noventa) dias, tendo os peritos, com base
em informes do ofendido e de registros hospitalares, pois desaparecidos os
vestígios, afirmado a incapacidade para as ocupações habituais por mais de 30
(trinta) dias. Concluído o inquérito, Mário foi denunciado e condenado nas penas
do artigo 129, parágrafo 1.º, n.º I, do Código Penal. O acusado Mário e seu
advogado deixaram escoar o prazo para impugnação da sentença.
QUESTÃO: Como novo advogado, o que faria em favor de Mário? Redija a peça.
PONTO 2
Lúcio, com 19 (dezenove) anos à época do fato, encontra-se condenado pela
27.ª Vara Criminal desta Comarca ao cumprimento da pena de 2 (dois) anos e 4
(quatro) meses de reclusão, pela prática do crime de furto qualificado na
modalidade continuada (artigos 155, parágrafo 4.º, n.º I, e 71, do Código
Penal), conforme sentença que transitou em julgado, para a acusação no dia
05.01.2001 e, para a defesa, no dia 20.02.2001. Lúcio, que estava foragido, veio
a ser preso no dia 28.01.2003.
QUESTÃO: Como advogado de Lúcio, qual a medida cabível em sua defesa? Redija a
peça.
PONTO 3
João foi preso porque portava 4 (quatro) cigarros de “maconha” para seu uso
e de seu colega de quarto. Foi denunciado como incurso no artigo 12, caput, da
Lei n.º 6.368/76, no dia 02.01.2003. O juiz, após receber a denúncia, em
seguida, citou o acusado, depois o interrogou e, na audiência de instrução e
julgamento, condenou-o pelo artigo 12, caput, da Lei n.º 6.368/76, às penas de 3
(três) anos de reclusão em regime integralmente fechado e ao pagamento de 50
(cinqüenta) dias-multa.
QUESTÃO: Como advogado de João, indique a medida processual que poderia ser
utilizada em seu favor e redija a peça correspondente.
QUESTÕES PRÁTICAS
1. Qual é, atualmente, o conceito de infração de menor potencial
ofensivo? Justifique e fundamente a resposta.
2. Pode o juiz, na pronúncia, enquadrar o acusado em dispositivo penal
que prevê pena mais grave do que a imposta ao crime articulado na denúncia?
Justifique e fundamente a resposta.
3. Em que hipótese o delegado de polícia pode instaurar inquérito de
ofício para a apuração do crime de estupro? Fundamente a resposta.
4. Que justiça é competente para julgar civil que, em co-autoria com
policial militar estadual em serviço, subtrai bem pertencente a uma Secretaria
de Estado? Justifique e fundamente a resposta.



