AIDAR VÊ NA PRISÃO DE ELIAS MALUCO OPORTUNIDADE PARA OFENSIVA CONTRA O CRIME ORGANIZADO


19/09/2002

AIDAR VÊ NA PRISÃO DE ELIAS MALUCO OPORTUNIDADE PARA OFENSIVA CONTRA O CRIME ORGANIZADO

Para o presidente da OAB SP, Carlos Miguel Ainda, a prisão de Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco , apontado como principal suspeito de ter torturado e assassinado o jornalista Tim Lopes, é uma resposta efetiva do Poder Formalmente Constituído ao “Poder Paralelo” do crime organizado, que vinha até aqui se mantendo fora do alcance da lei, muitas vezes, através de uma rede intricada de corrupção, formada por colaboradores que agem dentro das instituições do Estado.

“ Essa retomada das rédeas da segurança pública pelo Estado Oficial tem importância redobrada, principalmente neste momento, em que o Brasil acompanhou perplexo com que facilidade o narcotraficante Fernandinho Beira-Mar, dentro de uma prisão de segurança máxima, conseguiu planejar e assassinar os líderes de uma facção rival”, diz Aidar. Para ele, a impunidade dos criminosos e a complacência das autoridades com o crime organizado tem levado a uma escalada, sem precedentes, da violência no País e à desconfiança da população sobre a competência do Estado em controlar até mesmo uma unidade prisional e garantir as vidas sob sua custódia. “ Se o Poder Público não tem controle sobre os presídios, onde o Estado impõe seu modelo disciplinar mais coercitivo, o que se pode esperar nas ruas? “, pergunta o presidente da OAB SP.

Aidar alerta que o crime organizado vem buscando uma hegemonia de comando em todo o País, que contribuiria para aumentar, ainda mais, seu poderio e o grau de ameaça à sociedade brasileira. “Antigamente os detentos tinham modelos nas prisões como a família, a oficina e a escola. Agora, o modelo que seguem é do crime organizado, porque é o que conta”, adverte Aidar, lembrando que até pouco tempo atrás era o Estado que vigiava e impunha sanções aos presos , mas que agora são os criminosos que vigiam e punem a sociedade brasileira, com o fechamento de escolas e do comércio.

No entender do presidente da OAB SP, o crime organizado precisa ser contido o quanto antes diante de seu adensamento vertiginoso. “Não se pode reduzir a gravidade da situação. Ou o Estado, a partir da prisão de Elias Maluco, toma nas mãos as rédeas da situação, propondo e executando um denso e sistemático programa de combate à criminalidade, ou o País se tornará refém do crime organizado, a despeito da indignação e do clamor populares”, finaliza Aidar.

Mais informações, na Assessoria de Imprensa da OAB SP pelos telefones 3291-8175/82.