Professor denuncia violência policial


08/10/2002

Professor denuncia violência policial

A OAB SP, através das Comissões de Direitos Humanos e do Negro e Assuntos Anti-Discriminatórios, recebeu ontem (7) denúncia do professor Erivaldo da Silva Teixeira, que afirma ter sido vítima de abuso de autoridade e discriminação no Distrito Policial da cidade de Ubatuba, litoral norte do Estado, no último dia 4 de outubro. Erivaldo ministra aulas para 1.600 alunos da rede pública estadual e municipal.

Nesse dia, ao se dirigir ao ponto de ônibus com destino a São Paulo, onde faz curso de especialização em Psicologia e Educação na USP, foi cercado por três viaturas policiais. Segundo ele, os policiais gritavam, xingavam e portavam armas. Ele foi revistado aos gritos e detido para averiguação. Quando começou a chorar, os policiais ficaram ainda mais agressivos.

De acordo com o professor , o delegado de polícia, Eduardo Cambranelli afirmava que ele tinha 95% de chance de ser o maníaco de Guarulhos, responsável por estupros e assassinatos de incontáveis mulheres. Erivaldo foi mantido no pátio interno da delegacia, no chão, onde foi exposto à curiosidade popular. Posteriormente, passou 2 horas na solitária, quando foi submetido a identificação por uma mulher. Também teve de tirar a camisa e ser fotografado por pessoa não identificada.

Ele e seus pertences foram submetidos rigorosa revista, sendo que o delegado fazia inferências e julgamentos sobre tudo, nomes em agenda, canhoto de cheque etc. Também fez ilações sobre o fato de ter origem nordestina e sobre sua opção sexual. Sua casa foi revistada, inclusive computador, porque o delegado suspeitava, também, de pedofilia, nada sendo encontrado e não tendo sido apresentada ordem judicial nesse sentido. O delegado também não deixou que o mesmo fizesse telefonemas, de imediato, nem que inserisse os abusos no Boletim de Ocorrência, porque nem ele (delegado), nem os investigadores tinham feito nada ilegal. Ele foi liberado por interferência de uma advogada , que o levou ao Ministério Público, onde relatou o ocorrido.

“A OAB SP está, de imediato, providenciando um habeas corpus preventivo e encaminhando a denúncia para a Secretaria de Segurança Pública, com cópia para as Corregedorias da Polícia Civil e Militar”, pedindo apuração, afirma Eunice Prudente, Secretária Geral Adjunta da OAB SP. Erivaldo afirma não ter mais ambiente para trabalhar em Ubatuba, uma vez que os pais não querem mais que um suspeito de ser o “estuprador” dê aula para seus filhos. Erivaldo já recebeu o apoio da Apeoesp e dos colegas.

Mais informações, na Assessoria de Imprensa da OAB SP, pelos telefones 3291-8175/82.