DEBATE SOBRE DIREITO DAS VÍTIMAS


07/11/2002

DEBATE SOBRE DIREITO DAS VÍTIMAS

Amanhã (19/11), a Comissão de Direitos Humanos dá prosseguimento à sua agenda de discussões sobre os direitos das vítimas, com o debate “Patologia Social do Homicídio”, no auditório II da Caasp, às 18h30. Participam a procuradora do Estado, Ana Paula Zomer, o coordendor da Comissão de Direitos Humanos da OAB SP, João José Sady, a professora Graziela Acquaviva Pavez, titular da Faculdade de Serviços Sociais da PUC e supervisora do Cravi (Núcleo Social do Centro de Referência e Apoio à Vítima).

A primeira reunião, realizada dia 29 de outubro, reuniu oito entidades . Além da CDH e suas Subcomissões estavam presentes: Centro Santo Dias de Direitos Humanos, Movimento Nacional dos Direitos Humanos, Sindicato dos Psicólogos do Estado de São Paulo, Conselho de Defesa da Pessoa Humana (Condepe), Ação dos Cristãos para a Abolição da Tortura (ACAT), Centro de Referência e Apoio às Vítimas de Violência (Cravi), Tortura Nunca Mais – SP e Associação dos Juizes para a Democracia.

O coordenador da CDH da Seccional, João José Sady, abriu a discussão enfatizando que o objetivo do evento, que promete ser o primeiro de uma série que será realizada, é convocar a sociedade para buscar uma solução para o problema enfrentado pelas vítimas, “que pode ser qualquer um de nós já que a violência não escolhe cor, raça ou classe social”, afirmou.

Sady disse ainda, que reunir as entidades defensoras dos Direitos Humanos é uma forma de retirar o debate das páginas dos livros e transformá-lo em uma grande questão a ser assumida pela sociedade civil. “O processo de vitimização ocorre em profunda solidão. Em um drama diário e trágico, próprio da faceta da miséria de nosso povo. Por isso pedimos o apoio de todas as entidades defensoras dos Direitos Humanos para prepararmos propostas e a construção de uma agenda vitimaria que defina as demandas da cidadania ante os poderes do Estado”, comentou.

A coordenadora geral do Cravi, Letícia Massula, mostrou-se satisfeita com a iniciativa e sugeriu que o próximo evento fosse organizado por vários olhares. Ou seja, com sociólogos, antropólogos, psicólogos, advogados, assistentes sociais, enfim, com vários profissionais que poderiam dar sua contribuição ao processo de construção de políticas públicas para as vítimas de violência. A mesma opinião tem Angélica de Maria Mello de Almeida, membro da diretoria da Associação dos Juizes para a Democracia. “Nós devemos traçar o perfil da vítima por completo. Se ela é criança, mulher, familiar de uma vítima de homicídio, enfim, para ampliarmos a discussão sofre a violência para sabermos como agir. Assim, teremos uma atuação dinâmica e eficiente”, disse.

Letícia contou ainda que em uma de suas visitações em favelas ela percebeu que algumas mães ou mulheres de vítimas de homicídios não se sentiam no direito de contar com um serviço de apoio como o prestado pelo Cravi. “Nós precisamos chegar em cada uma e dizer que não importava o que seu filho ou marido fizeram para terem sido vítimas de homicídio. Se estavam envolvidos com drogas ou algo desse tipo. Elas poderiam dispor do Cravi do mesmo jeito que qualquer cidadão. Isso caiu como um alívio para elas e começamos a ter mais retorno desse público, já que a maioria das pessoas que atendemos são mães ou esposas de vítimas de homicídio”, comentou.
Inscrições e informações na Comissão de Direitos Humanos da OAB SP, pelos telefones 3116-1081/1074.


Mais informações para a Imprensa pelos telefones (11) 3291-8175/82.