Comissão quer apurar tortura e lesões


07/11/2002

Comissão quer apurar tortura e lesões

A Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil secção São Paulo (OAB-SP) protocolou no último dia 5/11 uma solicitação de apuração e providências na Corregedoria do Departamento de Inquérito e Polícia Judiciária, para que sejam averiguadas denúncias de tortura e até lesão gravíssima dolosa contra um preso. Até mesmo as condições em que a prisão ocorreu e o início da tortura, que teria se dado no momento da prisão, estão sendo colocados em dúvida pelas testemunhas que presenciaram suposto flagrante.
De acordo com ao depoimentos de pessoas que estiveram presentes durante a prisão do mecânico André Luiz Prado, no dia 26 de julho, ele teria sido perseguido em seu carro por uma viatura da Polícia Militar, sem que nada tivesse feito para levantar suspeitas. Acompanhado de duas amigas, ele teria estacionado e atendido aos pedidos dos policiais, mas mesmo assim os policiais teriam começado a atirar, acertando o acusado numa das pernas. Posteriormente, ele teria sido torturado por um dos policiais que, usando um pedaço de cano, teria cutucado o ferimento, agravando seu estado.
O presidente da Comissão de Direitos Humanos, João José Sady, salienta que as testemunhas têm, todas, depoimentos muito parecidos, o que leva a crer na veracidade das informações. “Essa pessoa foi levada a um hospital a pedido do delegado, mas seu estado era tão crítico que ele precisaria de uma cirurgia, o que não aconteceu por falta de profissionais naquela unidade. Ele desmaiou devido à dor e só acordou dentro do CDI de Osasco, sem o tratamento adequado. Ele possuía antecedentes criminais, mas nem isso nem outros argumentos justificam as ações”, narra, baseado nos depoimentos.
No CDI de Osasco, André teria permanecido em uma cela até a segunda quinzena de agosto, quando foi levado, com a perna necrosada, ao Hospital Regional de Osasco, onde teve o membro amputado, acima do joelho. “É uma situação tão absurda que ele recorreram à OAB e nossa obrigação é justamente encaminhar essas denúncias à Corregedoria”, destaca Sady.

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