CDH quer apuração de morte no Cadeião de Pinheiros


27/01/2003

CDH QUER APURAÇÃO DE MORTE NO CADEIÃO DE PINHEIROS

O coordenador da Comissão de Direitos Humanos da OAB SP, João José Sady, oficiou à juíza corregedora do Departamento de Inquérito e Polícia Judiciária da Comarca da Capital, juíza Ivana David Boriero, pedido de apuração sobre a morte de um preso, no último dia 22, violentamente assassinado, esquartejado no Cadeião de Pinheiros, localizado na Zona Oeste da Capital.

De acordo com Sady, a barbárie do episódio foi tanta que os pedaços do corpo do detento foram espalhados por toda a Ala B, onde o preso estava recluso. “O Estado não pode limitar-se a impedir que os presos deixem a prisão sem se preocupar com o que ocorre por traz das grades. Na medida que o preso fica sob o governo dos demais, prospera o poder daquelas grandes quadrilhas, tais como o famigerado PCC, cujo império está alicerçado justamente no fato de o prisioneiro, ao cruzar as grades, fique sem a proteção do poder público, vivendo na ‘jurisdição’ do Estado Paralelo, que pode esquartejá-lo caso ele caia em desgraça”, lamenta o coordenador.

Para Sady, o que mais surpreendeu foi o fato dos presos disporem de tempo e equipamento adequado para cometer o crime, sem que houvesse qualquer vigilância para impedir tal brutalidade. “Isso prova que o referido estabelecimento estatal padece de deficiências estruturais que possibilitaram a ocorrência. Por isso, é fundamental a apuração dos fatos e a imposição ao poder público de que seja garantida a segurança para os cidadãos que estão sob sua custódia”, explica.

O caso foi registrado no 91º Distrito Policial, da Vila Leopoldina pelo delegado Pedro Luiz Mateus que, na ocasião, foi informado que a morte do detento teria ocorrido durante uma briga interna entre grupos rivais.

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