CDH alerta para abandono da cadeia de Diadema


05/03/2003

CDH quer solução para abandono da cadeia de Diadema

Uma tentativa de resgate de presos nesta quinta-feira (27), uma semana depois da fuga de 23 presos da Cadeia Pública de Diadema, demonstra que essa carceragem continua a expor um cenário crítico, que foi inicialmente detectado pelo presidente da Subsecção local, Paulo Afonso Silva. A Comissão de Direitos Humanos da Ordem enviou ontem (27) ofício ao Secretário Adjunto de Segurança Pública do Estado, Marcelo Martins de Oliveira, solicitando medidas urgentes que visem resolver os problemas gerados pela superlotação e pela falta de manutenção da unidade.

No ofício, o coordenador da Comissão de Direitos Humanos da OAB SP, João José Sady, detalha a visita do representante da Comissão, Ariel de Castro Alves, à Cadeia. No local, ele registrou a presença de 270 presos em celas onde caberiam, no máximo, 60 pessoas. “Numa cela de seguro com capacidade para quatro pessoas, estão 23 detentos, sem entrada externa de ar e sem luz do sol”, explica Sady.

No domingo (23), o deputado federal Vicente Paulo da Silva também esteve no local e se comprometeu a entregar um relatório ao ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, para pedir a interdição da Cadeia Pública de Diadema. A subsecção local da OAB também já havia feito pedido de interdição no local, bem como a Câmara Municipal e até alguns setores da Polícia.

Em janeiro, 16 presos fugiram após explodir com uma dinamite uma parede da cadeia. No dia 20 de fevereiro, a fuga de 23 criminosos aconteceu por meio de um túnel com cinco metros de extensão, que começava dentro de uma das celas e terminava no esgoto do estacionamento dos policiais. “As grades foram rejuntadas com soldas tantas vezes que podem ser rompidas com as mãos. A precariedade interna tornou-se tão evidente que o inimigo externo se sente seguro o suficiente para atacar a cadeia”, destaca Sady, referindo-se à tentativa de resgate ocorrida nesta quinta-feira (27).

Para a Comissão, a possibilidade de uma rebelião é iminente, “por isso, estamos buscando medidas urgentes junto à Secretaria de Segurança Pública e da Secretaria de Administração Penitenciária. Esta última, já havia se comprometido a dar início à Construção do CDP (Centro de detenção Provisória) em um terreno em frente ao prédio da cadeia no início do mês de março”, diz Sady. A conclusão da obra está prevista para o começo de novembro.


Mais informações, na Assessoria de Imprensa da OAB SP, pelos telefones 3291-8175/82.