DIREITOS HUMANOS DA OAB SP PARTICIPA DE AUDIÊNCIA DA CDDPH


15/05/2003

Direitos Humanos quer apurar ação de grupos de extermínio

O coordenador da Comissão de Direitos Humanos da OAB SP, João José Sady e Fábio de Souza Santos, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Subsecção de Guarulhos, participam na terça-feira (20/5), às 13 horas, de audiência pública da Comissão Especial do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH), na Câmara Municipal de Guarulhos, que apura ação dos grupos de extermínio em São Paulo. Sady já solicitou ao corregedor da Polícia Militar do Estado de São Paulo, coronel Paulo Cesar Máximo, apuração sobre a atuação do grupo de extermínio, supostamente formado por policiais militares, na cidade de Guarulhos, baseado em matérias veiculadas na Imprensa, no dia 7 de maio, que tratavam sobre a ações do grupo na cidade.

De acordo com uma das reportagens, quatro jovens morreram em 19 de outubro de 2002, por um ataque do grupo de extermínio. As mortes aconteceram à noite, quando as vítimas se encontraram para sair. Na ocasião, dos cinco amigos que estavam no local do assassinato, apenas um sobreviveu, apesar de levar 13 tiros e ficar cego. “Como se não bastasse esta ação cruel e dolorosa, os policiais, no dia do enterro dos garotos, invadiram fardados as casas de seus parentes e vizinhos para intimidá-los”, comentou o coordenador.

Diferentemente do que a polícia vem afirmando como forma de justificar os crimes não esclarecidos, os garotos não foram mortos por dívida de drogas, mas por um pacote de bolacha roubado por um menino de 11 anos, que não estava junto com as vítimas na hora do crime. Segundo relatos do sobrevivente, ele teria sido confundindo com o jovem responsável pelo furto e por isso foi vítima da ação.

O furto ocorreu em um supermercado onde PMs do 31º Batalhão trabalham à paisana para garantir a segurança do local. Segundo testemunhas, na ocasião o garoto foi espancado pelos seguranças e ameaçado de morte pelo dono do estabelecimento que pedia aos guardas para matá-lo.

Enquanto uma matéria descrevia este episódio, outra relatava que pelo menos 25 jovens de Guarulhos teriam desaparecido desde 2000, e que alguns foram vistos sendo colocados em carros da Polícia Militar. Com base nestas informações, o Ministério Público já estaria investigando 18 assassinatos cometidos pelo suposto grupo. “É incompreensível que após sete meses, existindo tantas testemunhas, ainda não se tenha uma conclusão definitiva sobre essas ações. Por acusações menos graves, comandantes da mesma região possibilitaram às testemunhas denunciantes examinar ‘vis a vis’ todos os membros da tropa suspeita, enquanto que, neste caso, o que se fala é em retrato falado”, diz Sady.

Mais informações para a Imprensa pelos telefones (11) 3291-8175/82.