Discurso: Turma de Espadim da Polícia Militar de Barro Branco


28/05/2004

Discurso: Turma de Espadim da Polícia Militar de Barro Branco

Discurso: Turma de Espadim da Polícia Militar de Barro Branco

Meus prezados afilhados, da Turma ASAS E GLÓRIAS DE SÃO PAULO

Sejam minhas primeiras palavras de profundo agradecimento à Polícia Militar do Estado de São Paulo, nas pessoas de seu Comandante Geral, Coronel Alberto, do Sub Comandante, Coronel Pereira, do Diretor de Ensino e Instrução, Coronel Gianoni, do Comandante dessa Academia, Coronel Adauto e de todos os senhores e senhoras, dignos alunos oficiais, que em homenagem à corte que presido, concederam-me a magnífica distinção de paraninfar esta turma, em sua Festa do Espadim.

Tal honraria assume para mim particular significado, por ensejar possa eu me ver transportado ao passado, mas propriamente ao já distante Maio de 1971, e vislumbrar o meu rosto e meu sentimento na face e na alma de cada um de vocês, meus estimados amigos, por ocasião da solenidade em que, deste mesmo pátio, recebia das carinhosas mãos de meus pais o símbolo do aluno oficial. E o que representam, o aluno e seu símbolo? Traduzem indubitável e complementarmente, o futuro, a continuidade, a perpetuação da corporação, marcados, no entanto, como símbolo material do passado, da tradição, do compromisso, que remonta tempos imemoriais, de cavalheirismo, dignidade, honra e respeito, princípios que sempre marcaram e continuam presentes no espírito do oficial da milícia bandeirante.

Passar agora a integrá-la, com sentido de definitividade e permanência, deve representar para cada um motivo de imenso orgulho, adornado, no entanto, pelos necessários senso de responsabilidade e humildade, atributos sem os quais nenhum ser humano vai muito longe em qualquer empreitada a que se proponha.

Responsabilidade para aprender, no período em que se desenvolve sua formação neste centro de excelência educacional e moral, que é a Academia de Polícia Militar do Barro Branco. Responsabilidade para com seus superiores e as autoridades constituídas do Estado e com o estrito cumprimento das ordens e orientações recebidas, sempre coerentes com os mandamentos constitucionais e legais que informam a atividade daqueles que agem em nome do Estado, para o benefício da sociedade. Responsabilidade em face de seus subordinados, que esperam de seus comandantes nada menos do que segurança, firmeza, determinação, critério, bom senso, correção moral e sólida formação intelectual, que os oriente no caminho do direito e da justiça, impedindo desvios por parte daqueles que em primeiro plano e tão de perto lidam com matéria prima da complexidade do comportamento humano, em espécie o criminoso. E lidar com pessoas, criminosos ou não, exige o segundo atributo, sem o qual o profissional, por mais qualificação que seja, e os senhores e senhoras o são, não será completo em sua atividade: a humildade. Ser humilde, para não permitir o domínio da prepotência; ser humilde, para reconhecer que as circunstâncias da vida representam fonte permanente de aprendizado; que de todos podemos extrair uma experiência que nos complete e engrandeça como seres humanos; ser humilde para reconhecer em nosso semelhante, ainda que desfigurado pelo crime, a condição humana, tratando-o com a necessária firmeza, mas dentro de padrões éticos e de respeito que não nos façam perder a tranquilidade de voltar às nossas casas e encarar nossas famílias, sem preocupação ou vergonha pelo que fizemos ou deixamos de fazer. Exercer autoridade, especialmente o poder de polícia, é prática diária, que exige não apenas sólida formação profissional, mas também absoluto controle sobre suas emoções, dadas as condições em que o policial-militar desempenha suas atividades, premido por justa demanda social de segurança, em face de uma criminalidade cada vez mais estruturada e destemida. É para lidar com esse quadro que vocês, meus prezados afilhados, estão iniciando sua formação. Não o fazem, no entanto, sem terem atrás de si o exemplo de seus comandantes e a história da mais que sesquicentenária Corporação de Tobias de Aguiar, a apontar os rumos a seguir, como executantes e no futuro formuladores de políticas de segurança pública, que possam atender as necessidades da sociedade paulista.

Essa extraordinária Polícia Militar do Estado de São Paulo deve ser, como já ressaltei, permanente motivo de orgulho para cada um de vocês, como é para a comunidade à qual presta seus mais diversificados serviços, muitos dos quais totalmente estranhos à atividade de segurança e voltados a aspectos sócio-assistenciais, de efeitos concretos inestimáveis, especialmente para as camadas mais carentes do estamento social.

Em muitos lugares de nosso Estado, especialmente naqueles das periferias das grandes cidades, ou chega a PM, ou ninguém chega, para prestar auxílio aos desassistidos e desvalidos da sorte, carentes de atenção e cuidados. Também ali, o policial-militar, em condição de risco permanente, é a única sentinela avançada do império do Estado, e portanto da lei, a tentar garantir um mínimo regramento de convívio disciplinado, entre cidadãos que tão pouco recebem dos poderes constituídos.

E para prover disciplina, há que ser altamente disciplinado; e para impor o cumprimento da lei, há de se conhecê-la e observá-la, pois ninguém dá o que não e nem transmite aquilo que não cultua. percebam todos, pois, a dimensão do sacerdócio no qual ritualisticamente se iniciam na data de hoje. Vislumbrem as porções de sacrifício, dedicação, mas também de entusiasmo e vibração que permearão suas vidas de agora em diante. Como profeticamente o nome escolhido por esta turma já está a indicar, no exemplo do herói aviador de São Paulo, o Tenente João Negrão, naveguem nas asas do nobre sonho do oficialato, porque o objetivo é a glória, para o bem de São Paulo e do Brasil. Sejam felizes e que Deus abençoe.

Renato Martins Costa , presidente do Tribunal de Contas do Estado