D´URSO LAMENTA MORTE DE LEONEL BRIZOLA


22/06/2004

D´URSO LAMENTA MORTE DE LEONEL BRIZOLA

O presidente da OAB SP, Luiz Flávio Borges D´Urso, divulgou hoje (22/6), Nota Oficial lamentando a morte do ex-governador Leonel Brizola, falecido aos 82 anos, vítima de enfarte. D´Urso emitiu Resolução, determinando a observância de luto oficial pelo prazo de 3 dias na Seccional e Subsecções da OAB de São Paulo.



NOTA OFICIAL


Com a morte do ex-governador Leonel Brizola, o Brasil perde uma liderança, a quem a democracia brasileira muito deve. Em 1961, com a renúncia de Jânio Quadros, percebendo a proximidade de um golpe de Estado, com a decisão do Congresso de considerar vago o cargo de presidente e diante de um possível impedimento à posse do vice-presidente João Goulart, em viagem oficial pela China, Brizola lançou uma proclamação denunciando o golpe e incitando o povo a defender a legalidade. O movimento legalista cresceu em todo o país e Goulart assumiu. Também na sua volta do exílio, Brizola trabalhou incessantemente pelas Diretas-Já e pela redemocratização do País. Outra contribuição de Brizola à consolidação do Estado Democrático de Direito ocorreu em 1982, quando foi para a imprensa internacional denunciar uma tentativa de fraudar a apuração de votos nas eleições do Estado do Rio de Janeiro, na qual foi candidato vitorioso. Ao desmascarar o episódio, que ficou conhecido como operação Proconsult, ajudou o Brasil a dar mais um passo importante para acabar com tentativas de fraude nas eleições nacionais, em um país com um longo histórico de desrespeito à vontade do eleitor brasileiro.

Polêmico e crítico - até dos aliados – Leonel Brizola sempre teve grande preocupação em respeitar o interesse público, porque sempre esteve identificado com as causas populares. Dizia que jamais deixaria de dialogar com qualquer tipo de autoridade, pelo dever de colaborar com o interesse público, porque buscar o entendimento e trabalhar em conjunto, mesmo com adversários, era como entendia que estaria servindo à nação e ao povo brasileiro, que sempre deveria estar acima dos governantes.

Brizola se autodenominava um “enfrentador de crises e de poderosos”, mas os críticos o apontavam como “caudilho” e “populista”. Pode ter sido os dois, mas também tinha grande lucidez ao avaliar, acertadamente, que os grandes valores do país, hoje, não estão mais dentro dos partidos políticos, mas nos setores organizados da sociedade civil.

Leonel Brizola fará falta ao Brasil, pela sua postura de político independente e ético, pela sua dedicação incansável à causa da democracia, pela coerência às suas convicções, acertadas ou não, pela lisura de sua vida pública, pela defesa que fez dos direitos humanos e pela herança política que deixa ao povo brasileiro.

São Paulo, 22 de junho de 2004


Luiz Flávio Borges D´Urso
Presidente da OAB SP