Resposta à coluna de Ancelmo Góis


01/07/2004

Resposta à coluna Ancelmo Góis

(publicada na edição de 1/7/04 de O Globo)

Senhor Editor:

Causou-me surpresa o conteúdo da nota “Francamente”, publicada na edição de 28/6, de “O Globo”. Fica evidente que a intenção de fazer humor supera a perspectiva jornalística de informar, uma característica sempre observada pela sua coluna, da qual sou um leitor habitual.

A Seccional Paulista da OAB fez, sim, um convite indiscriminado a todos os candidatos e pré-candidatos à prefeitura de São Paulo, inclusive Paulo Maluf para participar do Movimento Nacional pela Ética na Política. Limitar o convite a alguns candidatos apenas, seria um procedimento discriminatório e antiético, que poderia ganhar conotação política ou ideológica, sendo a Ordem uma entidade apartidária.

O grande objetivo de OAB SP era obter um compromisso público dos candidatos pelo endosso ao Manifesto Ética na Política, porque a Lei 8.906/94, estabelece para a Ordem funções que não estão afetas apenas às questões corporativas da classe dos advogados, inclui a defesa do Estado Democrático de Direito e da Justiça Social. Sem dúvida, nosso objetivo foi cumprido, porque compareceram à OAB SP e assinaram o documento : Marta Suplicy, Michel Temer, Luiza Erundina, Paulo Maluf, Paulo Pereira da Silva, Francisco Rossi, Arnaldo Faria de Sá, Arnaldo Jardim e, paulatinamente, outros candidatos vêm procurando a entidade para apor seu endosso no Manifesto. Tenho a convicção de que todos os cidadãos atuarão como fiscais do compromisso assumido, apontando aqueles que se desviarem desse caminho. Isso, sem dúvida, torna o eleitor partícipe do processo e não apenas um mero espectador.

Portanto, a OAB SP de antigamente, que lutou pelo Estado Democrático de Direito, pela liberdade de expressão dos jornalistas e intelectuais, que cerrou fileiras contra a tortura e pelos direitos humanos, pelo voto direto de todos os brasileiros em pleno regime ditatorial, realmente mudou. Está mais combativa e atenta à construção de um país mais justo e democrático. Este é o sentido do Movimento Ética na Política, que reúne duas linhas de trabalho: exigir comportamentos e práticas éticas dos candidatos durante a campanha eleitoral - e além dela - e conscientizar os eleitores sobre a importância do voto. Entendemos que a ausência da ética nas administrações públicas têm conseqüências trágicas para o povo brasileiro, porque restringe as verbas para o social, gerando falta de emprego, de escola, de saúde, de moradia , de educação e de segurança. O Movimento continua, por todo o Estado de São Paulo, buscando o endosso de candidatos das principais cidades e pretende atingir as capitais do país.

Conhecedor de seus propósitos éticos, convido-o a integrar nosso Movimento e coloco-me à disposição para dirimir qualquer dúvida.




Luiz Flávio Borges D´Urso
Presidente da OAB SP