OAB SP LANÇA CAMPANHA CONTRA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA À MULHER


07/03/2005

OAB SP LANÇA CAMPANHA CONTRA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA À MULHER

Cerca de dois milhões de brasileiras são espancadas anualmente por seus maridos ou companheiros - uma média de 5.500 agressões diárias A partir desse dado, a OAB SP estará lançando no próximo dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, a Campanha Contra a Violência à Mulher, com o tema ‘ VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER É CRIME – DENÚNCIE”. “ São socos, tapas, chutes, estupros e outras formas de agressões que as mulheres sofrem dentro de casa, onde deveriam estar protegidas da violência. Por isso, a Ordem decidiu promover esta campanha de conscientização contra a violência sofrida pela mulher dentro de casa – em grande parte sufocada . Nos cartazes, baners, vinhetas e anúncios da campanha estará sendo divulgado o número do Disque-Denuncia 181 para que venha a ser mais notificada, denunciada”, explica o presidente da OAB SP, Luiz Flávio Borges D´Urso.

Para o presidente da OAB SP, é fundamental tirar da invisibilidade a violência doméstica contra a mulher. “As estatísticas nem sempre retratam a realidade, porque há muito conflito, angústia e medo envolvidos nestes crimes . A agressão não deve ser uma forma de relacionamento envolvendo o homem e a mulher e toda a sociedade precisa colocar ênfase neste fato ”, alega D´Urso. Na sua avaliação, é necessário ampliar o acesso das mulheres às Delegacias de Defesa da Mulher e à Justiça como forma de combater, de maneira efetiva, a violência de gênero, que veio crescendo do período de 1997 a 2002, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública e Fundação Seade.

A advogada Maria Elisa Munhol, presidente da Comissão da Mulher Advogada, aponta como causas principais da violência doméstica: o consumo de bebidas alcóolicas (81% dos casos), o ciúme (63%) e outros motivos fomentados por questões econômicas: desemprego (37%), problemas financeiros (31%) e dificuldades no trabalho (14%) e outros de motivos corriqueiros.Para D’Urso – a questão da violência contra a mulher no Brasil tornou-se um problema generalizado, sentido em todas as classes sociais e em todas regiões, mas com conseqüências mais drásticas para as mulheres das classes mais desfavorecidas, dependentes financeiramente dos maridos/companheiros e, geralmente, imobilizadas pela quantidade de filhos. “Precisamos de políticas públicas voltadas para a proteção da mulher, sobretudo as que tragam oportunidades de trabalho, educação e independência financeira”, completa D´Urso.


A campanha da OAB SP, idealizada pela Agência Agnelo Pacheco, vai divulgar cartazes com o rosto desfocado de uma mulher vitimada e o slogan “ Ela queimou o feijão/Ele , as mãos dela”, com o telefone do disque denúncia pelas 216 Subsecções do Estado e mais de 800 pontos de atendimento da Ordem. “ A OAB SP também quer ampliar as parcerias com entidades de mulheres para darmos capilaridade à campanha’, completa D´Urso. Na cerimônia de lançamento da campanha, no salão nobre da OAB SP, às 19 horas, várias mulheres serão homenageadas, entre elas a advogada Esther de Figueredo Ferraz, primeira mulher a ensinar na Faculdade de Direito da USP e ocupar um ministério no Brasil.