Artigo - Diretas Sempre


30/03/2005

Artigo - Diretas Sempre

DIRETAS SEMPRE !


Wagner Rubinelli




Alguns já esqueceram da luta pelas diretas já, a luta para podermos votar para presidente através do voto direto, e outros fingem que não se lembram, muito embora, subiram em palanques e defenderam o voto direto em todos os níveis, ou melhor, para todos os cargos.
Agora, por mais absurdo que possa parecer, alguns deputados querem tirar o voto de milhões de brasileiros e entregarem o direito de escolha de candidatos aos Partidos Políticos, que supostamente, instituir a ditadura dos partidos, onde esse é que definirão quem deverá estar na Câmara dos Vereadores, Assembléias Legislativas, Câmara dos Deputados ou Senado Federal. Quem diria que encontraríamos pessoas com coragem de defender o fim do voto direto, a volta dos colégios eleitorais.
Todos nós sabemos que a corrupção, infelizmente, é gritante em nosso país, e aí é que faço a seguinte pergunta: quanto custará uma vaga nos primeiros lugares desta lista? È justo alguns burocratas da máquina partidária escolher nossos representantes? Qual será o índice de renovação nas câmaras? Será que resistirá renovação ou os donos dos partidos estarão sempre no topo das listas?
E a qualidade dos mandatos, qual será a motivação de se fazer um bom mandato, se quem irá escolher não será a população e sim os partidos? Ou seja, uma pessoa poderá fazer um péssimo mandato, mas tendo o controle partidário, estará entre os primeiros na lista.
Será que neste governo, em pleno mandato popular do nosso Presidente Lula, ficaremos conhecidos como aqueles que tiraram o direito de votar do cidadão? Como iremos encarar o cidadão?
A história demonstra que em todos os lugares que tivemos partidos tidos como fortes, esses países se transformaram em ditaduras, assim vejamos: Itália com Mussolini, Alemanha com Hitler, União Soviética com Stalim, China com Mao Tse Tung, Cuba com Fidel Castro, Brasil com Getúlio Vargas, como outros. Creio eu, o que temos que ter não é partido forte e sim democracia forte. O nosso sistema político foi capaz de eleger um presidente operário e um congresso com perfil diversificado, mas, com a vergonhosa proposta de tirarmos o voto do cidadão, a tendência é elitizar a política, é manter velhos caciques no poder, é ir na contramão da história, enfim contra a democracia.
O poder absoluto é terrível, a maioria muitas vezes tendem a cometer abusos. Temo pelo futuro da democracia com as propostas oportunistas que ganham força na câmara, com o financiamento público de campanhas e o voto nas listas fechadas.
Espero e peço a Deus que não tenhamos que presenciar o fim do voto direto, expressão maior da democracia.


Brasília, (DF), 2005.



Wagner Rubinelli é advogado pós-graduado em Direito Constitucional e Deputado Federal – PT/SP