HOMENAGEM DE PAULO BONFIM


27/07/2005

HOMENAGEM DE PAULO BONFIM

O presidente da OAB-SP – Luiz Flávio Borges D’Urso – recebeu poema do poeta e escritor Paulo Bomfim, considerado um dos grandes nomes das Letras de São Paulo, que se adequa ao momento de crise vivido pelo País. Paulistano, Bomfim iniciou-se na atividade jornalística em 1945, no Correio Paulistano. Passou pelo Diário de São Paulo, onde a convite de Assis Chateaubriand escreveu, durante uma década, a coluna "Luz e Sombra", além de ter atuado em TV e rádio. Em literatura, tem experiência quase sexagenária. Seu livro de estréia foi "Antônio Triste", publicado em 1947 com prefácio de Guilherme de Almeida e ilustrações de Tarsila do Amaral. Em sua apresentação, Guilherme saudava o jovem estreante como "o novo poeta mais profundamente significativo da nova cidade de São Paulo". O Livro "Antônio Triste" foi premiado, em 1948, pela Academia Brasileira de Letras com o "Prêmio Olavo Bilac". Fizeram parte da comissão julgadora, entre outros, Manuel Bandeira. De então publicou diversas obras que foram traduzidas para o alemão, o francês, o inglês, o italiano e espanhol. Em maio de 1963, entrou para a Academia Paulista de Letras. Em 1981 foi eleito Intelectual do Ano pela União Brasileira de Escritores, conquistando o "Troféu Juca Pato". Em 1991 recebe o título de "Príncipe dos Poetas Brasileiros", outorgado pela Revista Brasília e o prêmio "Obrigado São Paulo", da extinta TV Manchete. É o Decano da Academia Paulista de Letras.
Confira o poema:
Advertência

Ai daqueles que brincam com a esperança do povo!
Ai daqueles que se banqueteiam junto à fome de seus irmãos!
Ai daqueles que são fúteis numa hora grave, indiferentes num momento definitivo!
Ai daqueles que corrompem para tirar proveito da corrupção, que envenenam o mundo pela volúpia de caminhar impunemente entre ruínas!
Ai daqueles que fazem da mentira a verdade de suas vidas!
Ai daqueles que usam os simples como degraus de sua vaidade e instrumentos de sua ambição!
Ai daqueles que fabricam com a violência a trama do medo!
Ai daqueles que roubam ao próximo a alegria de existir!
Ai daqueles que usam o dinheiro e o poder para prostituir, humilhar e deformar!
Ai daqueles que se atordoam para fugir das próprias responsabilidades!
Ai daqueles que traficam a terra de seus mortos, enxovalham tradições e traem compromissos com o presente e com o futuro!
Ai daqueles que se fazem de fracos no instante de tempestade!
Ai daqueles que se acomodam a tudo, que se resignam a tudo, que se entregam sem lutar!
Ai daqueles que loteiam seus corações, alugam suas consciências, transacionam com a honra, especulam com o bem, açambarcam a felicidade alheia e erguem virtudes falsas sobre os pântanos!
Ai daqueles que concordam em morrer vivos!


Paulo Bomfim