ARTIGO: DEPRESSÃO

26/04/2006

ARTIGO: DEPRESSÃO

ARTIGO: DEPRESSÃO

A depressão é uma doença que acontece com maior freqüência do que se imagina. Atualmente, atinge aproximadamente 15% da população mundial, ou seja, uma em cada 6 pessoas desenvolverá depressão em alguma fase da vida . Hoje, é a 4ª doença de maior impacto global e, em 2020, estima-se que será a 2ª, abaixo das doenças cardíacas . Sendo uma questão de saúde pública torna-se importante conhecê-la para reduzir o sofrimento de milhares de pessoas.
A primeira ajuda que devemos dar para uma pessoa que sofre de depressão é tentar não atrapalhar, isto é, ter consciência de que depressão não é frescura, preguiça ou loucura, e, muito menos, o jeito de ser de uma pessoa. Muitas vezes, o deprimido é rotulado como uma pessoa “de mal com a vida”, “difícil”, “desagradável”, “pessimista”, “rabugenta”, “preguiçosa”, “mal-humorada” etc.
Depressão é uma doença crônica que gera sofrimento difícil de suportar e, se não tratada, aumentam-se as chances de sua reincidência e agravamento. Desenvolver depressão não significa ser uma pessoa frágil, fraca ou mais sensível para enfrentar as dores da vida e, muito menos, anormal. Ninguém é anormal ou fraco por estar doente. Isso faz parte da vida. O grande problema é que depressão não é como gripe, cujos sintomas são facilmente identificáveis. Os sintomas da depressão são mais difíceis de serem percebidos à olho nu.
A doença é classificada como um Transtorno do Humor ou Afetivo. A maioria da doutrina a subdivide em: 1) Depressão melancólica, 2) Depressão atípica, 3) Transtorno Afetivo Sazonal, 4)Depressão psicótica com sintomas de alucinações (ouvir vozes e/ou ver pessoas onde não há vozes e/ou pessoas) ou delírios persecutórios (mania de perseguição), 5)Depressão pós-parto e 6)Distimia.
Não há exame laboratorial para identificá-la. Conforme o CID-10 , o grau da depressão pode ser leve, moderada e grave (com ou sem sintomas psicóticos). Os sintomas apresentados na doença são:
1) humor triste ou irritável (crianças);
2) diminuição da energia vital (desânimo, cansaço físico e mental, corpo pesado, fadiga em geral);
3) anedonia (perda da capacidade de sentir prazer em geral, perda de interesse por atividades que gostava muito de realizar anteriormente, perda ou diminuição de interesse sexual, etc.);
4) insônia (diminuição de sono) ou hipersonia (excesso de sono);
5) perda ou aumento do apetite;
6) pensamentos negativos, catastróficos, de ruína, preocupações em exagero, idéias de desesperança, morte e até suicídio;
7) sentimentos negativos como de culpa em exagero, de inutilidade “Eu não sirvo para nada”, de ser fracassado na vida, baixa auto-estima, falta de sentido na vida, sensação de vazio, etc.
Geralmente, em razão da fadiga intensa, a pessoa apresenta raciocínio lento, dificuldade de concentração e memorização, baixa motivação para executar as atividades rotineiras, dificuldade de organização e planejamento, etc.
Como tratar a depressão? O tratamento ideal é psicoterapia aliada a medicação. Entretanto, tudo dependerá do grau e tipo de depressão. Cada vez mais estudos recentes na área da terapia cognitiva indicam bons resultados no tratamento da doença. A psicoterapia cognitiva tem como objetivo inicial identificar e trabalhar os pensamentos, sentimentos e comportamentos que mantém a depressão com o intuito de eliminar os seus sintomas. Durante o processo psicoterapêutico, semanalmente, o psicólogo monitora e avalia o grau da depressão por meio de inventários psicológicos com o objetivo de escolher quais as técnicas a serem utilizadas em cada sessão. Além disso, solicita uma série de atividades para serem feitas no intervalo entre as sessões com o escopo de aumentar o efeito da terapia no paciente e otimizar o processo, ensina o paciente e sua família sobre a doença e realiza muitas outras atividades. Essas são apenas alguns exemplos de atividades realizadas na terapia. São feitas inúmeras durante o processo e, todas, com o intuito de reativar o mais rápido possível, as funções cognitivas do deprimido, sua funcionalidade no emprego, casamento ou família, e prevenir reincidências da doença no futuro. Portanto, há tratamento contra a depressão e os portadores da doença não precisam tolerar tanto sofrimento. A doença é muito mais tratável do que se imagina!
Viviane Sampaio. Psicóloga Clínica de adultos, casais e famílias. Atendimento em inglês para estrangeiros, hospitalar para enfermos e domiciliar para idosos. Consultório base na Rua Alvarenga, 683, Butantã. Outros consultórios na Paulista, Moema, Brooklin e Vila Mariana. e-mail:psicologavivianesampaio@yahoo.com.br