ROMUALDO DEIXA O CONSELHO SECCIONAL


19/05/2006

ROMUALDO DEIXA O CONSELHO SECCIONAL

ROMUALDO DEIXA O CONSELHO SECCIONAL

O Conselheiro Romualdo Galvão Filho fez, na última segunda-feira (15/5), sua despedida do Conselho Seccional, destacando em carta todos os serviços prestados à classe. Romualdo deixou o Conselho porque será candidato a cargo eletivo neste ano.


Veja a íntegra
CARTA AOS ADVOGADOS PAULISTAS

Em 1987, aos 21 anos, iniciei minha carreira profissional na Advocacia, conhecendo apenas sob o ponto de vista do cidadão brasileiro o grandioso trabalho de nossa corporação, a Ordem dos Advogados do Brasil.

Rapidamente notei que a OAB exerce papel muito maior do que o divulgado pelos meios de comunicação. Trata-se de entidade operante e imprescindível, não apenas na regulamentação do exercício profissional, mas na defesa das prerrogativas da Advocacia, na luta por um ambiente profissional ético e na vanguarda da defesa dos interesses sociais.

Ainda no início da carreira dei os primeiros passos na política de classe, buscando aprofundar o conhecimento acerca da nossa profissão. Atuando em Guarulhos, vivenciávamos à época uma realidade em que poucos decidiam os destinos de todos e o acesso aos jovens advogados era dificultado, quando não deliberadamente barrado. Era necessário mudar esse estado de coisas, pois essa visão coronelista não poderia ser aceita em nenhum lugar, quanto mais na segunda cidade do maior Estado da Federação.



Aos 23 anos participei da Associação Guarulhense de Integração entre Profissionais e Estagiários de Direito – AGIPED, marco fundamental para a mudança da mentalidade político-profissional em Guarulhos. Depois disto, juntamente com a Doutora Eliana Galvão Dias, fomos responsáveis pelo primeiro público Desagravo realizado em Guarulhos. Aos 25 anos, fui convidado a coordenar a Comissão de Prerrogativas da 57ª Subsecção (Guarulhos). Nessa época, já integrava o Comitê de Legislação, da Câmara Americana de Comércio (AMCHAM) e o Centro de Estudos das Sociedades de Advogados - CESA, entidade então embrionária. Aos 27 anos Coordenei a Comissão de Ética e Disciplina da 57ª Subsecção.


Em 1997 fui um dos primeiros apoiadores da vitoriosa campanha de Rubens Aprobatto Machado à presidência da OAB/SP, sendo pessoalmente convidado a integrar a sua chapa, como Conselheiro Seccional, cargo assumido ainda aos 31 anos. Fui reconduzido ao Conselho na gestão seguinte, de Carlos Miguel Aidar, e, juntamente com o Dr. Rubens Aprobatto Machado, fui um dos arquitetos da candidatura de Luiz Flávio Borges D’Urso à presidência da OAB/SP, sendo novamente reconduzido ao Conselho Seccional.



Nessa quase uma década atuando no Conselho Seccional de São Paulo da Ordem dos Advogados do Brasil, integrei a Comissão das Sociedades de Advogados, a Comissão de Doutrina, Legislação e Jurisprudência, a Comissão de Cidadania (OAB Vai à Escola), o Conselho do Jovem Advogado, a vice-presidência da Comissão de Direito Eleitoral, presidi a Quarta Turma do Tribunal de Ética e Disciplina – TED IV, fui Relator da II Câmara Recursal, presido a Comissão de Estudos Sobre Invasões a Escritórios de Advocacia e fui Corregedor do E. Tribunal de Ética e Disciplina de nossa entidade por duas gestões, dentre inúmeras outras atividades.

Agora, vejo que a minha colaboração à Ordem, como Conselheiro Estadual, encerrou um ciclo ao passo em que outros desafios se apresentam diante de mim, em que poderei ser igualmente útil à defesa dos interesses maiores da Advocacia e da Cidadania.
O exercício do poder exige a alternância, inclusive na OAB. Por maior que seja a experiência acumulada e a vontade de servir à instituição, devemos permitir que outras lideranças possam ocupar o seu espaço, trazendo novas idéias e novo ânimo. Não podemos repetir os erros e atitudes daqueles que combatíamos. A Advocacia e o Brasil já amargaram experiências mais do que suficientes de líderes que pregam um determinado discurso para chegar ao poder, e, encontrando-se no poder, repetem as atitudes daqueles a quem se opunham no passado.

Além dos serviços prestados à nossa classe nessas três gestões junto ao Conselho Seccional, orgulho-me de ter aberto espaço a dezenas de profissionais, que têm participado das diversas comissões e do Tribunal de Ética e Disciplina, tendo a oportunidade de apresentar o seu trabalho e de construir o seu espaço, ao mesmo tempo em que colaboram com a nossa entidade. Orgulho-me também por ter influenciado para que a minha Subsecção (Guarulhos), hoje, escolha os seus líderes em eleições disputadas, com a participação de toda a classe, superando o vergonhoso traço do passado, em que as lideranças eram escolhidas entre quatro paredes.

Agora, sou convocado a novos desafios, em que terei a oportunidade de apresentar as experiências e a vivência desses praticamente vinte anos de militância profissional e político-classista, metade deles atuando como Conselheiro Seccional de nossa entidade, e, muito mais do que isto, terei a oportunidade de carregar comigo a paixão pela Advocacia e o compromisso inquebrantável com os ideários e com a história da Ordem dos Advogados do Brasil.

A Advocacia brasileira tem sido injustiçada e violada ao longo dos últimos anos, Advogados que integram as casas legislativas em todo o país voltam as costas à nossa atividade, líderes outrora festejados como presidentes do Conselho Seccional e Federal encheram-nos de esperança ao assumirem postos de comando e de influência nos destinos da comunidade jurídica nacional mas traíram a nossa confiança, rasgaram a sua própria biografia e nos envergonham por suas atitudes.


Qualquer que seja o destino que o futuro reserva a este Advogado, tenham a certeza, meus ilustres pares e especialmente esta Casa, que não me afastarei dos princípios que forjaram o meu caráter e a minha vida profissional nestes últimos vinte anos, não trairei a classe a qual sempre integrarei, não envergonharei meus pares, nem violentarei as minhas convicções, a minha própria história ou a minha biografia.

Por força da legislação eleitoral, sou obrigado a apresentar a minha renúncia ao cargo de Conselheiro Seccional e às Comissões das quais participo em nossa entidade, sem prejuízo de voltar a integrá-las no futuro.

Não estou deixando a OAB, pelo contrário, estarei sempre presente nas atividades e lutas de nossa instituição e de nossa classe e aceitarei de bom grado todas as tarefas e atribuições que me forem confiadas pelos nossos dirigentes e para as quais seja convocado pela classe, mas devo ceder o meu espaço no Conselho Seccional da OAB/SP a uma nova liderança, motivo pelo qual anuncio que também não irei disputar, nas eleições deste ano da OAB/SP, a recondução ao Conselho Seccional.


A presença do meu nome, como Conselheiro Seccional, na próxima gestão, estaria praticamente certa, contudo, considero que uma quarta gestão consecutiva no Conselho Estadual seria contraditória ao espírito que norteou o meu ingresso nas lides políticas de nossa classe e que conduz o ideário do grupo político classista que integro.

Encerro este ciclo, junto ao Conselho Seccional, mas continuarei a minha jornada, sempre defendendo os princípios que norteiam a Ética, a Cidadania e a Democracia, sempre irmanado à OAB em defesa dos interesses da Justiça, do Estado de Direito e da Advocacia, que não é uma profissão, mas uma atividade essencial ao bom funcionamento do Estado e de suas instituições.

Externo minhas saudações e meu agradecimento a todos aqueles, dirigentes da OAB e da CAASP, Conselheiros, Diretores de Subsecções, Membros do Tribunal de Ética e das Comissões, funcionários e colaboradores da OAB/SP, pelo apoio, estímulo e convívio nessas três gestões. Embora não seja prudente citar nomes, não posso deixar de mencionar especialmente os colaboradores Carlos Alberto Baptista, Madalena Oliveira, Eucenir Borba, Claudiane Bolzachini, Anabela Rodrigues, Santamaria Nogueira, José Cristóvão Bernardo, José Luis Marques Bento, Aparecido José Vieira, Marcos Antonio Andrade, Orlando Andrade e Francisco Assis de Medeiros, nas pessoas de quem agradeço a todos os funcionários e colaboradores da OAB.

Agradeço também à valorosa equipe do Galvão Dias Advogados, cuja trajetória confunde-se com a minha própria história profissional e política. Graças a esses excepcionais Advogados, estagiários e à toda equipe de apoio Administrativo, tenho condições de dedicar-me às atividades político-institucionais sem prejudicar a minha atividade profissional. Agradeço a todos nas pessoas da Dra. Emilia de Fátima Ferreira, do Dr. Antônio Roberto Marchiori, da Dra. Francelu Gomes Villela Teles de Carvalho, do Dr. Rafael Tabarelli Marques e das minhas competentes assistentes Alessandra Rodrigues de Sá Nunes e Selma Spósito, em nome dos quais cumprimento a todos os mais de trinta integrantes do escritório.

Não posso deixar de agradecer a todos aqueles Advogados que se ombrearam às minhas lutas, que se alegraram e se entristeceram comigo em tantas campanhas, mas que acima de tudo ajudaram e continuarão ajudando a valorizar a nossa profissão, continuarão a lutar pela Justiça, pela Ética e pela cidadania e a participar ativamente da Ordem dos Advogados do Brasil, porque juntos escrevemos um importante capítulo da história recente da Advocacia paulista, com esses inúmeros colaboradores quero dividir todos os êxitos deste período, e, mais uma vez escusando-me por eventuais esquecimentos, agradecer a todos nas pessoas dos Doutores Demóstenes Lopes Cordeiro, parceiro, aliado, amigo de todas as lutas e de todas as jornadas e dos não menos amigos Francisco Dantas Correia Lima e Adriana Aparecida Costa.


Agradeço também às lideranças político-classistas que me inspiraram no início de minha carreira, como o Doutor Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, com quem dei meus primeiros passos na política de classe em nível estadual.


Não poderia deixar de agradecer ao meu amigo e ex- presidente da 57ª Subsecção, que primeiro acreditou no meu trabalho em prol da Advocacia e contribuiu imensamente para a minha jornada, Doutor Benedito Édison Trama.

Dos meus companheiros de Conselho Seccional, desses últimos nove anos, só levarei boas recordações, a grande amizade e o imenso aprendizado que tive, deixo a todos o meu abraço nas pessoas dos atuais Conselheiros com quem convivi por pelo menos duas das três gestões consecutivas de que participei: Antônio de Souza Corrêa Meyer, Edson Cosac Bortolai, Marcos da Costa, Márcia Regina Machado Melaré, Tallulah Kobaiashi, Ivette Senise Ferreira, Américo Carvalho Filho, José Wellington Pinto, José Tarcísio Oliveira Rosa, Carlos Miguel Aidar, Orlando Maluf Haddad, Luis Eduardo de Moura e Luis Flávio Borges D’Urso.

Aos Conselheiros desta gestão que para mim encerra-se agora, deixo meu abraço nas pessoas dos Conselheiros Fábio Marcos Bernardes Trombetti – adversário de outras jornadas, amigo e aliado para todo o sempre, Umberto Luis Borges D’Urso, Braz Martins Neto, Fábio Romeu Canton Filho, Sonia Aparecida Mascaro Nascimento, Eduardo César Leite, Erikson Gravaza Marques, Mário de Oliveira, Carlos Alberto Maluf Sanseverino, Alberto Carmo Frazatto, Everson Tobaruela, Augusto Rocha Coelho, Tânia Lis Tizzoni Nogueira, Janete Zanóide de Morais, Vitor Monacelli Fachinetti Junior, Jorge Nascimento Nelson Alexandre Filho e Marcos Bernardelli.

Consigno meu especial agradecimento ao Dr. Rubens Aprobatto Machado, meu grande líder, que me conduziu, pela primeira vez, ao Conselho Seccional, na gestão 1998/2000, ao Dr. Carlos Miguel Castex Aidar, meu dileto e especial amigo e presidente na gestão 2001/2003 e ao meu amigo e irmão, com quem ombreei-me num gigantesco desafio que resultou em uma verdadeira revolução na OAB/SP, e a quem orgulho-me de ter colaborado para dar início a uma jornada que certamente o conduzirá a desafios cada vez maiores no cenário nacional, Luis Flávio Borges D’Urso, da gestão 2004/2006.

Por fim, registro o maior de todos os agradecimentos, a Deus, pela maravilhosa e inigualável oportunidade de aprendizado e de engrandecimento pessoal, e à minha pequena Vitória, fruto de uma união nascida durante a campanha que me conduziu pela primeira vez ao Conselho Seccional, gestada em meio a reuniões, encontros e congressos da OAB e que viveu esses seus seis primeiros anos de vida acompanhando-me nas atividades da Ordem e tendo que compreender as minhas ausências, mas sempre vibrando por essa sigla que ela ainda não entende bem o que é, mas sabe tratar-se de algo muito importante, chamado OAB.

Outro dia, passando por uma cidade do interior de São Paulo, ela chamou efusiva a minha atenção para uma pequena casa: - Papai, olha lá a OAB! Olhei para o lado e vi a Casa do Advogado, que eu mesmo não havia notado. Aí, pensei: a semente está lançada em solo fértil, vai frutificar! Pode ser que no futuro ela não venha a ser Advogada, mas se carregar o exemplo das pessoas com quem conviveu nesta fase de formação de sua personalidade e do seu caráter e se dentro de si frutificarem os ideários que movem a Advocacia, certamente será mais do que uma grande cidadã, um grande ser humano. Só por isto posso afirmar e resumir este capítulo que se encerra da minha vida em uma simples expressão: Valeu a pena e vamos em frente!

Guarulhos, 15 de maio de 2006.


Romualdo Galvão Dias
Conselheiro Seccional