Ex-menino de rua receberá carteira da OAB


03/08/2006

Aírton da Costa foi aprovado no último Exame de Ordem

Airton da Costa, ex-menino de rua, foi um dos destaques dentre os aprovados no último exame da OAB SP, realizado no mês de maio, que aprovou apenas 9,79% dos candidatos.

Estar entre os aprovados já representa um feito para todos o candidatos. Mas, no caso de Airton da Costa o sucesso tem um sabor especial. Hoje, morador da Vila Conceição, em Diadema, Airton da Costa passou grande parte de sua infância nas ruas da cidade de Lins, no interior de São Paulo.

"Aos 41 anos, o novo membro da classe dos advogados paulistas que reúne 250 mil profissionais, é um modelo de perseverança e luta pela cidadania. O caso de Airton da Costa trata-se de um paradigma e mostra que o Exame da Ordem não tem pegadinhas. É criterioso. Apenas testa a competência e preparo de quem pretende seguir a profissão, que exige capacidade técnica, conhecimentos teóricos e muita dedicação", avalia o presidente da OAB-SP - Luiz Flávio Borges D’Urso.

"Até os 10 anos vivia nas ruas. Catava papelão, engraxava sapatos, pedia esmola. Apesar de ter casa, passava muitas noites na rua. Meu pai era alcoólatra e tinha muitos irmãos. Nos anos 80 consegui um trabalho, onde fiquei até completar 19 anos. Com essa empresa me mudei para Birigui, onde fiz um curso técnico de mecânica. Em seguida, fomos para Araçatuba e tive a oportunidade de fazer outro curso, este no Senai, de torneiro mecânico", conta Costa.

Com a nova profissão, Costa mudou-se para a região do ABC. Morou em favela, passou por vários empregos até conseguir entrar na faculdade em 2000.

"Tive vergonha na primeira vez que fui até a faculdade. Minha esposa, Maria, me acompanhou. Para quem sempre foi humilhado, é muito difícil entrar em um local como o campus universitário", revela.

Costa fez o Exame de Ordem três vezes. Nas duas primeiras passou para a segunda fase, mas foi reprovado e na última obteve sucesso.

"Lembro-me que quando era criança, enquanto os meninos jogavam futebol, eu brincava de advogado. Ser advogado sempre foi meu sonho, meu objetivo e fiz de tudo para alcançá-lo. Lia, inteirinho, todos os livros indicados, estudava de madrugada. Empenhei-me ao máximo para atingir meu objetivo e consegui. Acho que sou um exemplo para outras pessoas", revela.

Costa, recentemente, foi eleito Conselheiro Tutelar Diadema e acredita que terá de advogar nas horas vagas. "Ainda não tenho nenhuma oferta de emprego como advogado, mas gostaria muito de atuar na área de Direito do Trabalho", confessa.