Artigo: Depressão e Produtividade no Trabalho

Viviane Sampaio

 

 Aos poucos e sem sinalizar, a depressão pode afetar muito o desempenho no trabalho e a qualidade de vida de uma pessoa.

Hoje, a doença atinge aproximadamente 15% da população mundial, ou seja, uma em cada seis pessoas desenvolverá depressão em alguma fase da vida[1]. É a 4ª doença de maior impacto global[2] e, em 2020, estima-se que será a 2ª, perdendo apenas para as doenças cardíacas[3].

Do ponto de vista econômico, seu custo é elevado tanto para o doente quanto para a sociedade em geral. O custo relacionado com morte prematura e o custo indireto por redução na produtividade e absenteísmo no trabalho são preocupantes. Pessoas com depressão apresentam quatro vezes mais probabilidade de faltar ao trabalho. Nos EUA, o custo anual direto (hospital, medicamentos e honorários médicos) para o tratamento da depressão está estimado em 12,4 bilhões de dólares. No Reino Unido, o excesso de mortalidade decorrente da depressão está estimado em um custo de 4,7 milhões de libras por ano, enquanto no Canadá o custo indireto da depressão (perda da produtividade no trabalho) está estimado em 2,5 bilhões de dólares canadenses.[4]

É comum aparecerem com maior evidência sintomas físicos (dores musculares, dores na coluna, cefaléia, dores epigástricas, ataques de pânico)[5] associados ao quadro clínico da depressão, que dificultam o diagnóstico preciso ou postergam o tratamento clínico. Sono ruim e má alimentação podem ser freqüentemente confundidos com sintomas de algum outro tipo de doença ou estresse, sem considerar que podem ser sintomas da própria depressão. Esses fatores contribuem para a piora do estado físico do deprimido e do quadro clínico da doença e aumentam os gastos com consultas médicas, idas ao pronto-socorro, internações e, por conseqüência, faltas ao trabalho.

Como a depressão afeta o desempenho no trabalho? O cansaço físico excessivo e a perda de interesse em geral dificultam a realização das atividades rotineiras. Tudo parece demandar esforço extra. O raciocínio e a memória ficam lentos e o que antes era fácil de entender e resolver, agora não é mais. O deprimido esquece-se do que era para fazer, para quem era para ligar, o que escreveu ou falou, etc. Por não conseguir armazenar os dados em sua memória, tem mais dificuldade para tomar decisões, se concentrar, se organizar e planejar suas tarefas.

Os relacionamentos interpessoais no trabalho também são afetados. O humor deprimido pode ser triste (choro excessivo sem motivo correspondente), apático ou irritável (comum em crianças).

Psicologicamente, seus pensamentos, sentimentos e comportamento são alterados para uma forma negativa.

Viver com depressão é muito difícil, entretanto, a doença é muito mais tratável do que se imagina. Milhares de estudos científicos comprovam cada vez mais que a psicoterapia realizada por psicólogos apresenta resultados altamente satisfatórios no combate à doença.

Portanto, o deprimido já não precisa tolerar mais tanto sofrimento. Ajude-o, informando que hoje há tratamento eficaz e rápido para a depressão!  

Viviane Sampaio. Psicóloga Clínica de adultos, casais e famílias. Atendimento em inglês para estrangeiros. e-mail: psicologavivianesampaio@yahoo.com.br



[1] Kessler, R.C. et al.  The Epidemiology of Major Depressive Disorder: Results From the National Comorbidity Survey Replication (NCS-R).Journal of the American Medical Association-JAMA, Vol. 289, Jun. 2003, pp. 3095-3105;

[2] WHO.The World Health Report 2001: Mental Health: New Understanding, New Hope.Geneva: World Health Organization

[3] Murray, C. & Lopez, AD. The Global Burden of Disease. Cambridge, MA: Harvard University Press,1996;

[4] Moreno, R. A. e Chaves, A.V. Depressão e Ansiedade. Artigo de Revisão. São Paulo: FMUSP, Set. 2005.          

[5] Moreno, R. A. e Chaves, A.V. Depressão e Ansiedade. Artigo de Revisão. São Paulo: FMUSP, Set. 2005.