ADVOCACIA AINDA LAMENTA PERDA DE MARILÚ


10/09/2007

No final de agosto, a advocacia paulista perdeu uma das suas mais antigas advogadas criminalistas ainda em atividade profissional. No dia 28, morreu Maria de Lourdes Almeida Junqueira Thomaz, carinhosamente chamada de Marilú. Nascida na cidade de Itaberá, em 1913, iniciou os estudos ainda na terra natal e, posteriormente, formou-se normalista na Escola Normal Peixoto Gomide em Itapetininga, em 1932. Seguiu posteriormente o curso de Nutrição e Dietética da Faculdade de Higiene e Saúde Pública da Universidade de São Paulo, concluído 1946 e trabalhou como educadora sanitária em diversos bairros da capital paulista e cidade do interior paulista.

 

O passo maior e mais importante foi dado por Marilú ao ingressar na Faculdade de Direito do Largo São Francisco da Universidade de São Paulo, em 1955, tornando-se bacharel em Direito em 1959. Depois de casar –se em 1961, com Raphael Luiz Junqueira Thomaz, segue para Europa em 1962, onde cumpriu curso intensivo de criminologia na Universidade Sourbonne, na França. Além de uma das pioneiras da advocacia paulista, inclui-se também entre as primeiras mulheres a pisar no Tribunal do Júri, abrindo caminho para um grande número de advogadas, juízas e promotoras.

 

Conforme o presidente da OAB-SP, Luiz Flávio Borges D’Urso, se a ascensão feminina na advocacia é um processo irreversível, deve-se à determinação e ousadia das primeiras mulheres a ingressar na carreira, como Marilú. “O fenômeno começou lento, mas tem-se intensificado nas três últimas décadas, com destaque para uma forte arrancada nos anos 90. O fenômeno, que começou nos bancos escolares, vem-se espalhando também, além da advocacia, pela magistratura e pelo Ministério Público”, analisa D’Urso, lembrando que fundada em 1932, só em 1951 uma mulher ocupou cadeira no Conselho Seccional, embora a primeira mulher advogada tenha entrado na Ordem 75 anos atrás, no mesmo ano de fundação.

 

Na década dos 80, a Ordem abriu definitivamente suas portas para a luta da mulher por igualdade e criou a OAB Mulher. Era na sede da entidade que as mulheres das carreiras jurídicas se reuniam para trocar experiências, falar do tratamento nem sempre respeitoso que recebiam de alguns colegas, e se fortaleciam para enfrentar o preconceito que, no dia-a-dia, cruzava o caminho delas. A evolução rápida culminou com a eleição das primeiras mulheres para a vice-presidência da Seccional, atualmente ocupada pela advogada Márcia Regina Machado Melaré, pelo segundo mandato.