TRIBUTO A MARIA DE LOURDES ALMEIDA JUNQUEIRA THOMAZ


11/09/2007

                  No dia 28 de Agosto de 2007 nos despedimos de Maria de Lourdes Almeida Junqueira Thomaz, carinhosamente chamada de Marilú, advogada criminalista de renome, que levou o nome de sua terra natal – Itaberá – nos mais altos escalões do Judiciário, onde gostava de se apresentar como ”Advogada Caipira”.

                  Maria de Lourdes nasceu em Itaberá em 09 de Maio de 1913, filha de Luiz de Oliveira Mello e Josephina Silva Mello, fez o curso primário na Escola Gabriel Pinto de Faria na terra natal. Em continuidade aos seus estudos foi normalista na Escola Normal Peixoto Gomide em Itapetininga, concluindo o curso em 1932.

                  Iniciou sua carreira de professora na Primeira Escola Rural Mista do Bairro do Cerrado, lecionando, também, na Escola do Bairro Monjolinho, ambos do município de Itaberá.

                  Não contente com o diploma de professora, foi cursar a Faculdade de Higiene e Saúde Pública da Universidade de São Paulo, onde nessa mesma Faculdade fez o curso de Nutrição e Dietética em 1946.

                  Trabalhou como Educadora Sanitária em diversos bairros da capital paulista, além de várias escolas das cidades de Jacareí, Jundiaí, Limeira e Registro, ainda como educadora sanitária fez o curso de Orientação Educacional e OSPB.

                  Marilú entrou na Faculdade de Direito do Largo São Francisco em São Paulo em 1955, tornando-se Bacharel em Direito em 1959.

                  Em 1961 casou-se com Raphael Luiz Junqueira Thomaz e viajou para Europa em 1.962, onde fez curso intensivo de criminologia na Escola Sourbonne de França.

                  A Ordem dos Advogados do Brasil agraciou-a com uma justa homenagem em Março de 2006, por ser a advogada mais experiente inscrita na Seccional Paulista, pois ela é uma das pioneiras da advocacia paulista e esteve entre as primeiras mulheres a pisar no Tribunal do Júri e se hoje existe um grande número de advogadas, juízas e promotoras, se deve ao espírito de luta, pioneiro e incansável desta digna defensora, que ousou adentrar no templo exclusivamente masculino – Tribunal do Júri – onde com a sua presença marcante e grande atuação na defesa dos menos assistidos, fez brilhar a estrela da grande Advogada que era. 

                  Em Itapeva fez o primeiro Júri no dia 27 de Setembro de 1966 e continuando sua brilhante carreira de criminalista atuou nos Tribunais de Júri das cidades de Itararé e Itaporanga por muitos anos, tendo se despedido do Tribunal do Júri no ano de 2005, onde com  92 (noventa e dois)  anos de idade, continuava a advogar brilhantemente.

                  O pesar da classe é muito grande, pois perdermos uma valorosa advogada, uma grande companheira, que com seu caráter ilibado, sua conduta sempre dentro da ética e da moral é um exemplo de vida a ser seguido por todos nós advogados e militantes do Direito.

                  Digamos adeus à grande amiga Marilú com os versos que ela sempre finalizava seus discursos – “ Quando se sente bater no peito heróico pancada. Deixa-se a folha dobrada. Enquanto se vai morrer...” (versos de Tobias Barreto, no Monumento ao Soldado Constitucionalista, nas Arcadas da Faculdade de Direito do Largo São Francisco em São Paulo)

                    

                                                           Mariolí Archilenger Leite

                                                                                  Advogada

                                                                       Secretária da 76a. subsecção