PRESIDENTE DA OAB SP COMUNICA QUE NOVA PROVA DO EXAME DE ORDEM SERÁ EM 2008 E PEDE APURAÇÃO DA PF


10/12/2007

Em entrevista coletiva à imprensa, realizada neste domingo (9/12), às 11 horas, na sede da Ordem, o presidente da OAB SP, Luiz Flávio Borges D´Urso, explicou detalhes que levaram à suspensão do Exame de Ordem 134 por suspeita de quebra de sigilo das provas. “ Está foi a primeira vez que este tipo de vazamento aconteceu em São Paulo desde a década de 70, quando o Exame começou a ser aplicado. Este exame tem se pautado pela absoluta seriedade, transparência e sigilo”, garantiu. D´Urso. Novas datas serão marcadas para a primeira e segunda fase e o presidente da OAB SP vai solicitar à Superintendência da Polícia Federal abertura de inquérito policial.


Na coletiva, o presidente da OAB SP afirmou que os candidatos não sofrerão qualquer prejuízo e apontou que novas datas serão fixadas para a primeira e segunda fases do Exame de Ordem 134 por meio de  edital de convocação. “ Não há como realizarmos a prova ainda este ano,  porque  envolve uma logística complexa para contemplar 25 mil candidatos. Tão logo consigamos definir  os locais, locados ou cedidos por faculdades de Direito, a  concepção de  uma nova prova, com 100 questões totalmente novas,  e a convocação dos milhares de voluntários, estaremos anunciando a nova data com antecedência”, afirmou D´Urso. O presidente garantiu, ainda, que mecanismos de segurança extraordinários serão implementados em cada etapa da próxima edição do Exame.

  O presidente da OAB SP  vai se reunir nesta segunda-feira (10/12) com o superintendente da Polícia Federal em São Paulo, Jaber Saadi,  para  entregar todos os dados e pedir instauração de inquérito policial. Também vai encaminhar solicitação ao procurador geral de Justiça, Rodrigo Pinho, para que o Ministério Público Estadual acompanhe as investigações.. Internamente, a OAB SP está instaurando uma  sindicância interna  visando  apurar o vazamento.. D´Urso também afirmou desconhecer se as questões seriam comercializadas  ou que as mesmas  já estariam circulando em simulados ou  pela Internet.. “ Toda informação interessa à OAB SP e à Polícia Federal para identificar de onde veio este vazamento.. É importante que surja toda a verdade. Temos todo interesse que a apuração se dê o mais rápido possível”, garantiu D´Urso.

 Na avaliação de D´Urso, os candidatos entenderam a decisão da OAB SP de suspender  o Exame. “ Num intervalo de horas, conseguimos com o apoio da imprensa, comunicar a decisão aos candidatos. Registramos  menos de 10% de comparecimento nos locais de prova em todos o Estado no domingo. Buscamos com a suspensão  poupar os bacharéis . Caso a prova fosse aplicada e tivesse de ser anulada, os candidatos teriam de refazê-la” explica D´Urso. Para o presidente da OAB SP, este episódio só reforça a credibilidade do Exame de Ordem, à medida que  quando surgiu a suspeita, providências foram imediatamente tomadas.

Segundo relato do presidente da OAB SP, no sábado(8/12) no final da tarde (18h10),  ele recebeu um telefone de uma fonte  - que prefere manter em segredo para não atrapalhar as investigações -  alertando que poderia ter havido vazamento do conteúdo da prova, uma vez que um professor de cursinho teria revelado questões que fariam parte da prova. As 8 questões foram passadas por e-mail  ao presidente da OAB SP e checadas com o presidente da Comissão de Estágio e Exame de Ordem, Braz Martins Neto,  única pessoa dentro da OAB SP que tem acesso ao conteúdo da prova. “Constatou-se que duas questões na íntegra  faziam parte da prova. Imediatamente, a diretora se reuniu à noite e deliberou a suspensão da prova por quebra de sigilo”, explicou.

 D´Urso também explicou a elaboração da prova e  participação da Vunesp, empresa contratada para aplicar o Exame de Ordem. O presidente da Comissão, Braz Martins Neto, recruta  professores e advogados para elaborarem questões que compõem um Banco de perguntas , do qual são extraídas, unicamente por ele,  aquelas que  vão compor a prova, de forma a assegurar  total sigilo. Definida a prova, a OAB SP entrega com 10 dias de antecedência  à Vunesp, que reproduz as cópias e lacra para fazer chegar aos locais do Exame.  " Há um contrato  que estipula a obrigatoriedade do sigilo e a Vunesp é guardiã das provas até que sejam distribuídas aos candidatos", garantiu.

 Participaram da coletiva: o diretor-tesoureiro, Marcos da Costa; o presidente da Comissão de Estágio e Exame de Ordem, Braz Martins Neto; a conselheira e diretora adjunta Tallulah Carvalho e o presidente da Comissão Fiscalização  da Qualidade do Serviço Público,Anis Kfouri.