OAB SP APÓIA FILME JUÍZO QUE CHEGA AO CIRCUITO DE SÃO PAULO


07/03/2008

Com o apoio institucional da OAB SP, estréia em São Paulo o premiado documentário “Juízo – o maior exige do menor”, produzido e dirigido pela cineasta brasiliense Maria Augusta Ramos, que acompanha a trajetória de adolescentes infratores nas Varas de Infância e Juventude e no Instituto Padre Severino, do Rio de janeiro. A pré-estréia será no dia 10/3 (segunda-feira), às 20 horas, na Sala 1 do Espaço Unibanco de Cinema (Rua Augusta, 1470, telefone 3288-6780). Neste dia haverá também um debate .Depois que o filme estrear no circuito comercial, os advogados pagarão uma entrada e ganharão outra.

Produzido em 2007, o filme – de 90 minutos - acompanha a rotina em tribunais dos juízes Luciana Fiala de Siqueira Carvalho e Guaraci de Campos Vianna; dos promotores Renato Lisboa Teixeira Pinto, Alexandra Carvalho Feres e Eliane de Lima Pereira; e dos defensores Tadeu Valverde e Patrícia Vilela, além de policiais e familiares. Todos os personagens são reais, exceto os adolescentes. Como a legislação veda a identificação dos infratores menores de idade, a produção traz um elenco de nove adolescentes não-infratores, mas que vivem em condições sociais similares.

 

Segundo o presidente da OAB SP – Luiz Flávio Borges D’Urso – o documentário mostra-se uma oportunidade rara da sociedade, não acostumada a freqüentar tribunais, conhecer  a rotina da Vara de Família. “Os jovens infratores passam pelos mesmos descaminhos de um Judiciário sobrecarregado de processos e de um Poder Público que não tem respostas efetivas para os problemas da sociedade”, avalia D’Urso, destacando a importância do filme que evidencia o trabalho real dos operadores do Direito – magistrados, advogados e membros do Ministério Público.

 

“O documentário mostra a Justiça sendo aplicada por juízes, que querem saber se o adolescente gostou de roubar; se o amigo que deu a arma manda nele; se ele pertence a gangues e se pensou nas conseqüências do ato ilícito. No contraponto, temos os advogados buscando assegurar os direitos dos jovens; querendo saber se o adolescente fora coagido a praticar o delito, apontando motivações e atenuantes, além de propor medida justa prevista pelo Estatuto da Criança e Adolescente (ECA)”, analisa o presidente da OAB-SP.

 

D’Urso destaca ainda que a realidade desses adolescentes mostrada no filme choca. “A detenção com algemas, o camburão, as grades e a violência impressionam. E pior é falta de perspectiva retratada por uma adolescente que reluta entre ser libertada, porque voltar para casa pode ser ainda pior que a detenção e a possibilidade da Justiça mantê-la no sistema”. Sem dúvida – ressalta D’Urso – “esta não é a ressocialização de jovens infratores que sonhamos. O documentário até mostra agentes do Estado que vão até a unidade prisional saber se os adolescentes têm roupas e colchões, como se isso resolvesse a omissão do Poder Público na recuperação destes jovens, cuja reinserção social deveria passar obrigatoriamente pela educação, saúde, lazer e tratamento digno durante o cumprimento da medida privativa de liberdade”.  

 

O documentário de Maria Augusta Ramos – cineasta especializada em tratar a relação do cidadão com as instituições – tem as credencias de importantes festivais e mostras de cinema: melhor filme do Dok Leipzig – Festival Internacional de Documentário e Animação de Leipzig; Seleção Oficial da 31ª Mostra de Cinema de São Paulo; do Viennale-2007 (Festival Internacional de Cinema de Viena); do Festival de Rotterdam (Holanda); do Festival Cinema Du Réel (França), dos Festivais Internacionais de Filme dos Direitos Humanos de Londres e de Nova York; e do Festival Internacional de Cinema Jeonju (Coréia do Sul); e do Festival Internacional de Cinema de Locarno (Suíça) na Mostra Cineasta do Presente, além de hors-concours da Festival de Cinema do Rio (FestRio-2007).