ORDEM ENTREGA PRÊMIO MARIA IMMACULADA


15/09/2009

As advogadas Cléa Carpi, Tereza Dóro, Zulaiê Cobra, Irene Vandoni e Anna Cândida Ferraz foram as vencedoras da 2ª edição do Prêmio Dra. Maria Immaculada Xavier da Silveira, uma iniciativa da Comissão da Mulher Advogada e do Departamento de Cultura e Eventos da OAB SP para homenagear as mulheres que lutaram em prol da advocacia brasileira. A cerimônia de premiação ocorreu no dia 9 de setembro, na sede da OAB SP.

“Alguém poderá pensar que esse prêmio é um culto à vaidade, mas não é”, declarou o presidente da OAB SP, Luiz Flávio Borges D’Urso. “A vaidade é uma coisa vazia, enquanto as nossas homenageadas, cujo exemplo deve ser seguido, receberam com surpresa essa lembrança. Quero aderir a essa homenagem em nome dos 280 mil advogados que represento. Até hoje as mulheres ainda são alvo de preconceito, ainda têm que lutar para serem respeitadas. Em prol delas, vou sustentar junto ao Conselho Federal a redução em cinco anos do tempo de contribuição da advogada aos cofres da OAB.”

Em seu discurso, a vice-presidente da OAB SP, Márcia Melaré, sustentou por que as premiadas fazem a diferença. “Cléa Carpi é a primeira secretária-geral do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil; ela percorre o Brasil todo representando a mulher advogada. Tereza Dóro preside a subseção de Campinas, uma das maiores do estado, de forma competente. Zulaiê Cobra, ex-deputada federal, sempre levantou a bandeira da questão feminina no jogo político. E Irene Vandoni e Anna Cândida Ferraz, por sua vez, são mulheres engajadas na luta pelos direitos humanos. É justa a nossa homenagem a essas mulheres que contribuem para a mobilização da sociedade civil neste momento em que o país vive um grave problema político”, discursou Márcia.

Helena Maria Diniz, presidente da Comissão da Mulher Advogada, constatou com orgulho que “nós, mulheres, representamos 53% da advocacia do estado de São Paulo”. Helena explicou que a OAB SP realizou uma pesquisa para descobrir quem foi a primeira advogada inscrita na casa: “Essa mulher foi Maria Immaculada Xavier da Silveira. Ela conquistou o número de inscrição 615 no dia 26 de janeiro de 1932.  A primeira advogada de São Paulo nasceu no dia 9 de setembro de 1900, em Piracicaba. Ela se formou pela Faculdade de Direito de São Paulo, mais tarde incorporada pela USP, em 23 de dezembro de 1925. Em sua carreira, Maria Immaculada ocupou a tribuna do júri no Rio de Janeiro, onde organizou, inclusive, uma Semana da Advogada. Além de conferencista era fluente em inglês, francês e alemão. Tenho muito orgulho dela.” Por fim, Helena explicou que as homenageadas foram escolhidas com critério apolítico, com base apenas no seu trabalho.

“Tivemos a idéia desse prêmio no ano passado e fizemos a pesquisa junto à Comissão de Resgate da Memória para homenagear as mulheres advogadas que mais se destacaram no ano. A Immaculada foi uma super guerreira. Queremos que esse prêmio prossiga por muitos anos”, complementou Clarice D’Urso, secretária executiva da Comissão da Mulher Advogada. Maria Célia Alves, da Comissão da Mulher Advogada, acrescentou ainda que “O critério da memória foi fundamental, pois o brasileiro se esquece de reverenciar a própria cultura”.

Também presente ao evento,o presidente da CAASP, Sidney Uliris Bortolato Alves, lembrou que em outubro se inicia a Campanha da Mulher, que só no ano passado atendeu 2500 advogadas.

Todas as homenageadas presentes foram premiadas por D’Urso. A primeira foi Cléa Carpi da Rocha, secretária-geral do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, conselheira federal da OAB, procuradora federal aposentada e primeira mulher a presidir a OAB RS.

“Agradeço a nossa patrona Maria Immaculada por estar aqui. Ela ingressou na OAB quando as mulheres ainda não tinham o direito de votar. O caminho da mulher não tem sido fácil. Só em 1993 foi reconhecido pela ONU que as mulheres e crianças são detentoras dos direitos humanos. Nossa luta é contínua.”

Tereza Dóro, presidente da subseção de Campinas, ex-delegada de polícia, professora da PUC de Campinas, mestre em Direito Processual e autora de diversas obras literárias, foi representada por Maria Célia Rocha Alves. A ex-deputada Zulaiê Cobra também não pôde comparecer. Zulaiê é advogada militante na área dos Direitos da Mulher e foi relatora da lei que criou no estado de São Paulo a Delegacia de Defesa da Mulher.;

Anna Cândida da Cunha Ferraz foi a homenageada seguinte. Ela é livre-docente pela USP e atua hoje como professora titular e coordenadora do mestrado do Centro Universitário FIEO.

“A feliz instituição pela OAB SP de um prêmio que homenageia Maria Immaculada tem um significado mítico para o meio jurídico e para a sociedade. Immaculada desbravou uma profissão nova às mulheres. Um dia atingiremos a meta de igualdade com os homens. 53% já é um dado auspicioso”, celebrou Anna Cândido.

A última homenageada da noite foi Irene Vandoni, procuradora do Estado, doutora em Direito Civil, Agrário, Penal e Filosofia do Direito pela USP e procuradora do Patrimônio Imobiliário.

“Este é o momento mais feliz da minha vida”, declarou Irene. “Desejo que todos os advogados continuem no seu mister, que não tenham receio de ninguém e falem a verdade porque o Brasil precisa ser defendido. O Brasil é o nosso maior cliente.”