ADVOGADO FRANZ DE CASTRO PODE VIRAR SANTO


05/05/2010

O advogado Franz de Castro Holzwarth, que empresta seu nome ao Prêmio de Direitos Humanos da OAB SP, pode se tornar o mais novo santo brasileiro. Defensor dos direitos humanos dos presos, ele morreu em 1981, durante um motim na cadeia pública de Jacareí, a 82 km da capital paulista. O processo de beatificação de Castro, que é sigiloso, será por martírio e está na fase de escuta de testemunhas.

 

“ Essa será, sem dúvida uma justa homenagem a um advogado que dedicou sua vida a preservar o direito daqueles que são esquecidos pela sociedade e, muitas vezes, pelo Estado, nos cárceres de todo o país”, afirma o presidente da OAB SP, Luiz Flávio Borges D´Urso.

 

Nascido em 1942 em Barra do Piraí, no Rio de Janeiro, Franz de Castro foi morar aos 20 anos com a tia em São José dos Campos, no interior de São Paulo, onde construiu sua carreira. Depois de formado em Direito, passou a dar assistência jurídica e espiritual a detentos de presídios da região.

 

Suas ações em favor dos encarcerados o levaram a ser chamado para mediar um motim na cadeia pública de Jacareí. Depois de se oferecer para substituir um policial militar como refém, Castro levou mais de 30 tiros, morrendo aos 38 anos de idade.

                          

O Vaticano está convocando as pessoas que tiveram contato com o advogado para prestar depoimento à Igreja. Se a análise dos documentos produzidos no Brasil concluir que houve o martírio, Franz de Castro pode ser declarado beato pelo Papa. Para a canonização, no entanto, será preciso a comprovação de um milagre. Mas, em Barra do Piraí e em São José dos Campos, já é possível encontrar santinhos do advogado.

 

Desde 1983, o Prêmio Franz de Castro Holswarth da OAB SP homenageia pessoas que se destacam na defesa dos direitos humanos. Já receberam o prêmio personalidades como o deputado constituinte Ulisses Guimarães, o advogado Fábio Konder Comparato, o jornalista Caco Barcelos, o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes e o arcebispo emérito de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns.