COMISSÃO LEMBRA ANIVERSÁRIO DO ADVOGADO DOS ESCRAVOS


26/08/2011

A Comissão da Igualdade Racial registra que há 129 anos, no dia 24 de agosto de 1882, o Brasil perdia o poeta, jornalista e advogado Luiz Gonzaga Pinto da Gama, baiano, nascido em 21 de junho de 1830, e um dos primeiros e mais importantes abolicionistas da época. Patrono da cadeira nº 15 da Academia Paulista de Letras, era filho da africana livre Luiza Mahin com um fidalgo branco de origem portuguesa.

 

Para o presidente da Comissão de Igualdade Racial da OAB SP, Eduardo Pereira da Silva, Gama foi uma figura história de grande relevância e um precursor do abolicionismo no Brasil. “Ele ficou conhecido como o ‘advogado dos escravos’ porque, mesmo sem ser diplomado em Direito, foi capaz de conseguir a libertação dos escravos com base nas leis vigentes da época e de seus conhecimentos por ter sido aluno ouvinte na Faculdade de Direito do Largo São Francisco”, ressaltou Silva.

  “Luiz Gama é um exemplo de autoditada e cidadão. Mesmo com tantos obstáculos, foi um vencedor que, com sua obstinação e caráter, se rebelou contra a  escravidão e foi um dos mais ativos no combate a ela, libertando mais de mil escravos”, explicou o presidente da OAB SP, Luiz Flávio Borges D´Urso.


Aos 10 anos, Gama foi vendido como escravo pelo próprio pai e levado para o Rio de Janeiro e posteriormente para o interior de São Paulo, de onde fugiu para a capital, depois de aprender a ler e escrever com o estudante Antônio Rodrigues do Prado Junior.

 

Em 1848 alistou-se na Força Pública da Província, onde ficou por seis anos e graduou-se cabo. Destacou-se como jornalista e colaborador de diversos periódicos progressistas e fundou, em 1864, o jornal “Diabo Coxo”. Em 1869, fundou o jornal “Radical Paulistano” com Rui Barbosa.

 

Seu sepultamento foi acompanhado por 3 mil pessoas, época que a cidade de São Paulo tinha 40 mil habitantes.