CONGRESSO DA MULHER TRATA DO EMPODERAMENTO FEMININO


19/04/2012

O empoderamento feminino pode ser definido como um processo pelo qual as mulheres tomam em suas próprias mãos as mudanças necessárias para vencer a subordinação de gênero e constroem um caminho rumo ao poder . Esse foi o tema central do “Congresso Jurídico em Comemoração ao Dia Internacional da Mulher – Novas Perspectivas Femininas após um ano de Governo Dilma”, promovido pela Comissão da Mulher Advogada e Departamento de Cultura e Eventos da OAB SP, no Teatro Gazeta .

Segundo a presidente da Comissão da Mulher Advogada, Fabiola Marques, a ideia do evento foi analisar o significado de ter  uma presidenta  da República eseu impacto positivo sobre as mulheres e mensurar o que mudou. “Percebemos que hoje as mulheres adquiriram um grau de confiança, sem dúvida, muito maior, em função da existência de uma mulher no poder. E isso faz com que a gente tenha cada vez mais força para assumir postos de comando”, ressalta.

Para Fabíola, não basta a existência de leis que garantam e que protejam a mulher contra a discriminação, contra a violência, que permitam que a mulher consiga trabalhar e levar sua vida de forma normal e tranquila. “É fundamental que nós, advogadas e advogados, passemos a concepção para as mulheres e a sociedade de que a questão do trabalho da mulher, a questão da mulher na família, a questão da mulher na política, depende só dela. E depende só dela no seguinte sentido: a partir do momento em que a mulher consegue, dentro de sua casa, de seu relacionamento, dividir as responsabilidades, ela estará conquistando um grande espaço”, afirmou.

Clemencia Beatriz Wolthers, secretária-geral adjunta da OAB SP, analisou o espaço das mulheres no âmbito da advocacia: “Hoje as mulheres representam 50% do contingente de advogados em São Paulo.Isso evidentemente forma um grande universo de advogadas trabalhando em todas as áreas. Tudo isso é muito importante, e vai se refletindo na Ordem. Hoje, ainda temos proporcionalmente poucas conselheiras – 15, num total de 120. Na diretoria, temos duas mulheres, mas a tendência é essa participação de ampliar”, ponderou.

Para o jornalista, Ricardo Amaral, autor do livro “O que a vida quer é coragem”, que trata da trajetória da presidenta Dilma Rousseff da militância política à presidência da República, o objetivo principal do livro foi tentar narrar, especialmente para os mais jovens, como fazia sentido a trajetória da então candidata Dilma, tanto pela trajetória pessoal dela, quanto pelos episódios de que ela participou na história recente do Brasil, nos últimos 50 anos. “A gente percebe que, desde a mais tenra idade, e não somente no período em que ela participou de organizações revolucionárias, ela sempre teve uma posição desde muito jovem em todos os episódios decisivos mais importantes da história do Brasil. Fosse no nível local, regional, até chegar à grande política nacional, a que ela chegou recentemente, nos últimos dez anos, mas isso é coerente com toda a trajetória dela”, ponderou.

Ricardo lembra que Dilma era muito conhecida do público brasileiro pela luta contra o câncer, pela participação nas organizações revolucionárias que lutaram contra a ditadura e também tinha a imagem da gestora exigente, eficaz e durona. “Eu quis mostrar que esses fragmentos se juntam na própria história dela. Contar também que eleger uma presidenta mulher no Brasil é de fato uma novidade, mas não pode ser tratado como uma surpresa, porque esse episódio estava escrito, já vinha sendo escrito não só pela Dilma, mas pelo conjunto das mulheres na sociedade brasileira, que há muito sempre tiveram participação muito importante nas nossas lutas sociais, só que essa participação não se reflete inteiramente na participação política”, ressaltou.

O professor e filósofo Mário Sérgio Cortela levantou o público ao comentar sua crença no impossível, afirmando que no passado recente o papel da mulher era de lateralidade, caso da personagem Terta, mulher do coronel Pantaleão, vivido pelo humorista Chico Anísio, que apenas confirmava o que o marido dizia. Hoje esse papel foi superado e as mulheres vêm ocupando cargos de destaque, chegando ao topo com a eleição da primeira presidente. Lembrou que se anos atrás se alguém dissesse que o Brasil iria decolar quando tivesse na presidência um sociólogo, um torneiro mecânico e uma ex-guerrilheira, diriam que ele era louco, mas na verdade, ele estava apenas exercitando a crença no impossível e na possibilidade de construir um mundo melhor.

A delegada Rosmary Correa, presidenta do Conselho da Condição Feminina comentou sua parceria e cumplicidade com a Comissão da Mulher Advogada da OAB SP ao longo dos anos e da realização dos Congressos e apontou que nas três últimas edições o foco saiu da violência à mulher para se discutir a questão do empoderamento feminino. Eliana Belfort, diretora titular do Comitê de Responsabilidade Social da Fiesp e vice-presidente do Conselho Superior de Responsabilidade Social do Instituto Roberto Simonsen, falou da pequena participação da mulher e citou como exemplo a Fiesp, onde é a primeira diretora titular, entre 14, em um universo de 150 mil industriais. Citou a escritora francesa Simone de Beauvoir, de que todo histórico das mulheres foi feito pelos homens e que os homens sempre viveram na esfera pública e as mulheres, na privada.

A vice-presidente do Senado, Marta Suplicy, abordou o tema “Mudanças no Poder Executivo” e destacou que ainda é pequena participação das mulheres na esfera política, pois há 15 anos é está na margem de 10%. Para ela, isso representa um retrocesso, lembrando que no Brasil a proposta de cotas para mulheres nas eleições não teve resultados, mas que não se consegue aprovar a lista fechada que, no seu entendimento, ampliaria o espaço feminino na política. Para Marta, a eleição de Dilma Rousseff é um salto gigantesco na luta pela igualdade de gênero e que eventos como o da OAB SP são positivos porque contribuem para a conscientização feminina.

Também falaram Vera Belardi, psicóloga, psicopedagoga, especialista em orientação vocacional, mestre em Psicologia da Educação pela PUC SP, pós-graduada em sexualidade humana pela FMU, membro da Associação Brasileira de Orientadores Profissionais e da Associação de Psicopedagogia;  Ana Perugini, deputada estadual, advogada e servidora licenciada do TJ SP, coordenadora da Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos das Mulheres na Assembleia Legislativa de São Paulo; a procuradora de Justiça Luíza Nagib Eluf e o secretário de Reforma do Judiciário do Ministério da Justiça, Flávio Crocce Caetano.

Homenagem

Ao final do evento, aberto pela diretora adjunta da OAB SP, Tallulah Kobayashi de Andrade Carvalho, representando o presidente Luiz Flávio Borges D´Urso; a presidente e secretária executiva da Comissão da Mulher Advogada, respectivamente Fabiola Marques e Clarice D´Urso entregaram placa de homenagem à cantora e compositora Inezita Barroso, por ser uma das mulheres com mais longa carreira artística no país e que trouxe uma importante contribuição cultural ao país. (Assessoria de Imprensa: Santamaria Nogueira Silveira)