Debate sobre Reforma Política aponta necessidade de aprimoramento da representatividade


30/01/2015

Abertura Seminário Reforma Política Já!
Marcos da Costa entre o Presidente-diretor da Fundação Padre Anchieta, Marcos Mendonça (à esq) e Ives Gandra (à dir.), Presidente da Comissão de Reforma Política da OAB SP


“Que esse debate frutifique em propostas que possam contribuir para a construção de uma nação mais próxima dos anseios da sociedade”. Com essas palavras, o presidente da OAB SP, Marcos da Costa abriu o “Seminário de Reforma Política Já!”, nesta quinta-feira 29/01, na nova sede da Ordem. O evento é uma parceria com a Cultura. Marcos da Costa também ressaltou que o tema da reforma política é de interesse da sociedade que vive hoje no maior período continuado de democracia no Brasil. Mais ainda, ele espera que possa se avançar no que diz respeito a instrumentos de representação no Executivo e no Congresso.

Destacando a história e a importância da TV Cultura e da OAB SP, Marcos Mendonça, presidente da Fundação Padre Anchieta, explicou como foi construída a parceria para a realização do seminário entre as duas entidades. Lembrou que o Congresso Nacional foi renovado e que essa é uma oportunidade para que a discussão em torno do tema prospere, levando a um sistema eleitoral mais eficiente e representativo. “Estamos vivendo um momento histórico diante da possibilidade de fazermos uma reforma política”, finalizou.

No mesmo tom da falas anteriores, o presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, José Renato Nalini, afirmou que a discussão sobre a reforma política é oportuna e retomar essa bandeira vale a pena. “Precisamos fazer com que a cidadania desperte para a participação, porque aqueles que esperam que o Estado provenha todas as necessidades, nunca despertarão para a necessidade de cada cidadão assumir suas responsabilidades”, ponderou. Segundo Nalini, a Era dos Direitos tem efeito nefasto para a Justiça: “Temos 100 milhões de processos em curso e isso não é sinal de saúde. É epidemia patológica para a República. A reforma política é também reforma do sistema de Justiça, se não for encarada com seriedade pela sociedade civil, o sistema encontrará obstáculo invencível”, afirmou.

“Quando você fala da reforma política, penso que a reforma partidária deveria vir antes. Se a reforma da política é a mãe das reformas, a partidária é a avó”, disse o vice-governador Márcio França, representando o governador na cerimônia de abertura do evento. França ponderou que os partidos são controlados por poucas pessoas e têm formato cartorial, mas precisariam ser democráticos internamente. O vice-governador cumprimentou a OAB SP e a TV Cultura pela iniciativa do seminário, mas avaliou que o Congresso não conseguirá viabilizar este ano a reforma política: “Este ano será difícil para isso, porque será um ano de muitas turbulências, dificilmente haverá espaço. Mas a reforma pode ser preparada para ser colocada em análise, depois que as turbulências passarem, porque depende de muitas conversas”, acrescentou.