OAB SP defende tolerância religiosa


21/01/2015

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A mesa do evento foi presidida pelo presidente da OAB-SP, Marcos da Costa (ao centro).

O Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa surgiu da mobilização de igrejas de matriz africana diante do ataque cardíaco sofrido por Mãe Gilda de Ogum,fundadora do Ilê Axé Abassá de Ogum, Terreiro de Candomblé na Bahia, depois de ser alvo de severa perseguição por conta da religião que professava, em 2000. Essa explicação foi dada por Jader Freire de Macedo Júnior, Presidente da Comissão de Liberdade Religiosa da OAB SP, durante o Ato público para comemorar a data, promovido na nova sede da OAB SP, nesta quarta-feira (21/01), às 14 horas.

O Presidente Marcos da Costa abriu o evento e destacou que o Brasil pode ser considerado uma referência em termos de convivência fraterna entre religiões, a despeito de um ou outro fato pontual de preconceito: “O tema da intolerância religiosa aflora no mundo inteiro e ganha importância o exemplo do Brasil, um país onde as religiões convivem sem maiores conflitos, um valor que precisamos preservar”.
 
Marcos da Costa e Jader Freire de Macedo Júnior entregaram Láureas de homenagens a cinco personalidades que contribuíram para o progresso da liberdade religiosa no País: Luiz Flávio Borges D’Urso, Diretor de Relações Institucionais, Conselheiro Federal e Ex-Presidente da OAB SP (2004/2012); Deputado Estadual Campos Machado (PTB-SP), representado por Celso Silvino;Damaris Dias Moura Kuo, primeira Presidente da Comissão de Liberdade Religiosa da OAB SP; Pai Milton Aguirre, Presidente superior do Órgão de Umbanda de São Paulo e Elisa Lucas, Coordenadora de Políticas para a População Negra e Indígena da Secretaria de Justiça e Defesa da Cidadania de São Paulo.
 
Luiz Flávio Borges D’Urso comentou o recente ataque a duas igrejas cristãs na República do Niger (África Ocidental), onde atuavam missionários brasileiros: “Isso é mais uma demonstração de que temos aquele ideal de respeito e liberdade religiosa que deveria reinar em todo o mundo. Há países onde por questões religiosas as pessoas são perseguidas, torturadas humilhadas e, às vezes, mortas. A tolerância religiosa no Brasil esculpiu na Constituição a liberdade de crença e o respeito a todas as religiões. O Brasil é um país laico, onde é garantido o direito do exercício pleno de qualquer crença de qualquer religião a todo o cidadão, inclusive, garantindo o direito de não ter religião ou de até não acreditar em Deus”.
 
Elisa Lucas fez referência ao caso de Mãe Gilda de Ogum e advertiu: “Esse episódio nos lembra, mais uma vez, que nos temos de estar atentos, que a cultura de paz tem que unir todas as religiões”. Ela afirmou que se sentia honrada com a homenagem da OAB SP: “Para mim é uma grande honra ser uma das homenageadas pela Ordem, presidimos um fórum dentro da Secretaria da Justiça esse fórum que congrega mais de 21 religiões visando à paz”.

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Damaris Kuo, ex-presidente da Comissão, recebe láurea de homenagem de Marcos da Costa e e Jader Freire de Macedo Júnior.

Damaris Moura Kuo, que proferiu palestra, fez diferenciação entre a intolerância religiosa no Ocidente e Oriente: “A intolerância no mundo ocidental é aquela que marginaliza a pessoa, mas ela não é direta, não é sangrenta. Porém, não é menos dolorosa porque todas às vezes que reconhece o direito a uma crença ou não atribuiu a consideração que você entende merecer pela escolha religiosa que fez isso é dolorido. Por isso o trabalho preventivo e educativo que a OAB SP tem feito é tão importante”.
 
Integraram a mesa dos trabalhos, além dos que fizeram uso da palavra: Umberto Luiz D’Urso, Diretor de Cultura e Eventos; Tallulah Kobayashi de Andrade Carvalho, Diretora adjunta da Mulher Advogada e Samuel Luz, Presidente da Associação Brasileira de Liberdade Religiosa e Cidadania.