Reforma política só virá com apoio de sociedade civil e entidades representativas como a OAB SP


30/01/2015

3º painel do Seminário Reforma Política Já!
Da esquerda para a direita: José Augusto Viana Neto, Airton Soares, Marcos da Costa, Gaudêncio Torquato e Fábio Canton


O terceiro painel abordou o “Sistema Eleitoral - Coligações Partidárias” e teve cientista político Gaudêncio Torquato como expositor que diz não acreditar em uma reforma política em profundidade no País, tendo em vista a relação cultural que permeia a política brasileira: “Dentro de uma sociedade complexa como a nossa, onde convivemos com um presidencialismo de caráter imperial, pluripartidarismo, coincidências de eleições, coligações proporcionais, uma reforma política dentro dessa modelagem é uma tarefa bastante complexa”.

De acordo com Torquato, o que não se pode tolerar na política brasileira é o que ele chamou de “prostituição da política” com a profusão de partidos políticos para atender interesses imediatistas. Segundo ele, o momento da mudança é realmente agora em 2015. “Este ano é mais adequado para se fazer essa Reforma Política.” Torquato acredita que esse movimento ganhará força apenas com o apoio da sociedade civil e das entidades representativas como a OAB SP.

O outro expositor do painel, o ex-deputado federal Airton Soares fez um comparativo entre o período das Diretas Já e o atual momento e foi duro: “Existe um jogo político dentro do Congresso Nacional e do Senado que vota por interesse de atender às demandas particulares”. E isso, segundo Soares, “não difere do mecanismo dos anos da ditadura brasileira”.

O que nos resta, de acordo com Soares é, a partir de iniciativas como essa da OAB SP e da TV Cultura, lutar para levar essas propostas discutidas hoje no âmbito nacional e, assim, fazer chegar aos nossos representantes políticos. “A solução é povo organizado, o que pode nos levar a uma pressão ao Congresso e essa pressão possa redundar em um convencimento do Congresso em fazer a reforma”, finalizou Airton Soares.