Servidores do Judiciário Federal paulista decidem entrar em greve


12/06/2015

Apesar de considerar legítimas as reivindicações dos servidores, Lívio Enescu, conselheiro secional da OAB SP e presidente da Associação dos Advogados Trabalhistas de São Paulo (AATSP), faz ressalvas à paralisação. “A greve inibe a interlocução dos servidores com a administração da Justiça Federal, prejudica a advocacia e é extremamente danosa para a sociedade civil.”

Os funcionários do Judiciário Federal no Estado de São Paulo decidiram entrar em greve, por tempo indeterminado, após assembleia realizada esta semana no Fórum Cível Pedro Lessa, na Avenida Paulista. No Fórum Trabalhista Ruy Barbosa, o balanço da paralisação, nesta sexta-feira (12/06) aponta que 31 Varas estiveram fechadas, com outras 43 funcionando em expediente normal; as 16 Varas restantes estão paradas em função da transição para o processo eletrônico.

A greve começou após duas paralisações de 24 horas nos dia 29/05 e na última quarta-feira (10/06). A reivindicação da categoria é a aprovação do PLC 28/2015, projeto de lei que tramita no Senado e trata da recomposição salarial dos servidores. A categoria não recebe reajuste há nove anos.

O conselheiro Enescu considera que uma greve nacional dos servidores do judiciário prejudica muito a população carente que está com processos em andamento, e necessita de soluções rápidas para as suas demandas. Ele pondera que o diálogo é o melhor meio de negociação e que órgãos representativos da classe, como a OAB SP e AATSP, podem contribuir para acelerar a aprovação da PLC 28/2015 no Senado: “Aproximadamente 30% dos parlamentares no Congresso Nacional são oriundos da advocacia, então temos uma base para tentar a aprovação do projeto, além de dialogar com o Poder Executivo para a futura sanção.”

No Brasil, a greve atinge os Estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Pará, Amapá, Maranhão, Rio Grande do Norte e Tocantins e o Distrito Federal. Na próxima quarta-feira (17/06), os servidores realizarão uma nova assembleia geral no Fórum Trabalhista Ruy Barbosa, na Barra Funda, às 14h00, para avaliar os rumos da paralisação.