Os embates econômicos fecham o seminário “Saídas para a crise” na sede da OAB SP


16/09/2015

Bernardo Guimarães Saídas para a Crise
Bernardo Guimarães enfatizou que a população enxerga o país apenas do ponto de vista do chamado ajuste fiscal, mas a economia é muito mais que isso

O quarto e último painel do seminário “Saídas para a crise”, promovido pela Seção São Paulo da Ordem, em parceria com a TV Cultura, a Assembleia Legislativa e o Instituto de Estudos Avançados da USP, não poderia deixar de tratar de tema fundamental que é a economia, um dos primeiros alertas para a população de que o país não está em boa situação. Em “A economia: caminhos e descaminhos”, mediado pelo conselheiro Secional Roberto Delmanto Júnior, os especialistas no assunto Bernardo Guimarães, o consultor do jornal Folha de S.Paulo, e Lourdes Sola, que também é cientista política, e o auditor e consultor de empresas Antoninho Marmo Trevisan se debruçaram sobre os temas Inflação; Emprego/desemprego; Contas públicas/ajuste fiscal; Guerra fiscal; Reforma tributária; Investimentos; Comércio, indústria, agronegócio e serviços, retomada do crescimento, papel o líder empresarial no momento da crise.

A má gestão na administração de recursos e de capital humano, as políticas públicas e a eficiência foram os focos que permearam as discussões levantadas por Guimarães. Ao abrir os trabalhos do último painel do evento, ele enfatizou que a população enxerga o país apenas do ponto de vista do chamado ajuste fiscal, mas a economia é muito mais que isso. É preciso olhar para outros fatores, como a produção e a contabilidade do desenvolvimento e mensurar se o Brasil tivesse tecnologia, equipamentos e educação dos países desenvolvidos quão mais seríamos mais ricos. “Num país em que os engenheiros estejam mal aproveitados não há crescimento”, disse ao exemplificar que não adianta um profissional que seria brilhante na sua área arrumar um emprego para ganhar bem, mas sem produzir muita coisa para o desenvolvimento e crescimento econômico.

De acordo com ele, há um desperdício grande no que se produz e a sociedade precisa alcançar uma maneira mais eficiente na aplicação desses recursos. A tendência será melhorar significativamente, uma vez que não se está usando bem as receitas por conta de regulamentações impostas pela própria sociedade, até por uma questão de defesa patrimonial. Em um comparativo simples, destacou que se um taxista que trabalha no Aeroporto de Guarulhos vir a São Paulo, e vice-versa, irá rodar em torno de 52kms. Voltará com o carro vazio, porque não pode pegar um passageiro. Dessa forma, metade do que produziu não teve retorno. “Tudo bem que está correto se olharmos do ponto de vista de que ele é de outra cidade e tem de ter sua reserva de mercado e pagar suas conta. Mas, se analisarmos por cima, iremos notar que está captando apenas metade do que produziu e isso não pode acontecer em um país que pensa em crescer”, enfatizou.

Sanha arrecatadória

Antoninho Trevisan Saídas para a Crise
Antoninho Marmo Trevisan, consultor de empresas, criticou ainda o corte de gastos anunciado pelo governo, lembrando que, quando se reduz investimentos em projetos como o Minha casa, minha vida ou na saúde, é a população que está pagando a conta

Trevisan, por sua vez, ressaltou que um dos caminhos é rever o sistema de governança e que o regime contábil no Brasil é um desastre. As tentativas de medidas para melhorar a economia brasileira, principalmente quando se fala de impostos, não tratam de fazer justiça fiscal já que têm conotação arrecadatória. O consultor criticou ainda o corte de gastos anunciado pelo governo, pontuando que do total de 24,7%, somente 12% não tiram os direitos dos cidadãos, uma vez que, quando se reduz investimentos em projetos como o Minha casa, minha vida ou na saúde, é a população que está pagando a conta pela contabilidade mal feita. “Pra mim, corte de gastos é redução de capital, aquilo que deixar de fazer sem que a sociedade sofra”.Entre seus esclarecimentos, registrou que as contas públicas no Brasil não dizem a verdade e são apresentadas de forma para que o brasileiro não consiga entender. Quando se fala em superávit primário e nominal e não se explica que houve crescimento de 0,7% no quesito primário, mas existe uma despesa de juros enorme está-se, simplesmente, aumentando a dívida pública: “São os nossos netos que irão pagar essa conta”, destacou. Acrescentou como proposta se criar a Companhia Brasileira de Ativos, utilizada por ele em São Paulo, e que possibilitou gerar recursos importantes para sanar a dívida pública.

Lourdes Sola Saídas para a Crise
Lourdes Sola alertou sobre o processo de esgotamento na economia e que está na hora de iniciar uma transição democrática

Coube a Lourdes Sola tratar da conjuntura crítica e de grande incerteza que ocorre na área política e econômica. Entre os tópicos, a especialista ressaltou a importância de os políticos perceberem que o país mudou. “O software dos atores políticos está velho, porque eles não perceberam que a sociedade está mais exigente”, disse. A cientista política acrescentou que está ocorrendo um processo de esgotamento na economia e que está na hora de iniciar uma transição democrática, sem cometer erros do passado, para que o Brasil consiga superar a crise. “Está na hora de termos dignidade econômica, porque sinto vergonha quando se fala em CPMF”, acentuou.