Em defesa da cidadania e direitos humanos, Subseção da OAB de São José dos Campos atua na rebelião em presídio


27/05/2016

O presidente da OAB São José dos Campos, Rodrigo de Moraes Canelas –que esteve presente durante as mais de dez horas de difícil negociação para contenção do motim no Centro de Detenção Provisória do Putim, ontem (26/05) na cidade – relatou ao presidente da OAB SP, Marcos da Costa, os momentos de intensa tensão vividos pelos membros da entidade ao dar apoio aos envolvidos.

“Nossa OAB participou das tratativas junto aos detentos que estavam com um refém, agente penitenciário, que foi liberado no final”, contou Canelas. “Infelizmente os presos mataram outros dois encarcerados, porém os mais de mil detentos não sofreram ferimentos graves. Vivemos situações de extrema tensão e tivemos o cuidado de intermediar informações para acalmar os cerca de 300 familiares que aguardavam notícias do lado de fora. Estamos presentes com os nossos presidentes das Comissões de Política Criminal, Rogério Silva e de Direitos Humanos, Luiz Lima e só pudemos respirar aliviados quando fomos avisar aos parentes que a situação estava sob controle”. 

Marcos da Costa parabenizou a atuação de todos cumprimentando-os pelo espírito de colaboração e respeito aos princípios e valores que dão solidez ao papel da Ordem dos Advogados do Brasil na sociedade.

A situação

Os presos do Centro de Detenção Provisória do Putim, no Vale do Paraíba no interior de São Paulo, fizeram um refém e dominaram quatro pavilhões da cadeia, pondo fogo em colchões e destruindo as celas. Eles exigiam negociação de melhorias como oferta de comida de qualidade, transferência de presos, além de reclamar de superlotação e do tratamento dado dos visitantes. A penitenciária tem capacidade para 525 detentos, mas abriga 1.172, segundo dados divulgados no local. A juíza Sueli Zeraik, da Vara de Execuções Criminais, presente às negociações se comprometeu a analisar posteriormente as demandas dos detentos. Policiais e agentes do Grupo de Intervenção Rápida (GIR) atuaram para tentar conter o motim e evitar fugas.