Um dia histórico


12/05/2016

Um dia histórico

O Brasil vive, hoje, um dos mais importantes e decisivos dias de sua história contemporânea. O dia em que foi votada, no Senado Federal, a admissibilidade do processo de impeachment da presidente da República.

Não é ainda uma decisão definitiva. Trata-se apenas de uma autorização para que a presidente seja processada no Senado Federal, onde terá direito de defesa e o contraditório assegurados e só ao afinal no mínimo dois terços de seus membros poderá decretar seu afastamento definitivo.

Mas, ainda assim, trata-se de uma decisão que por si já traz impacto profundo sobre o futuro do país, por ter como efeito o afastamento, ainda que provisório, de uma presidente da República em pleno exercício de seu mandato,  e posse do vice-presidente da República no comando da Nação e na Chefia do Estado.

O momento exige profunda reflexão por parte da comunidade nacional.

O fato é que o país vive um ciclo de transição, caracterizado pela saturação das velhas práticas da política, por intensa movimentação social e pela esperança de que as urgentes reformas na feição institucional sejam, finalmente, implantadas.

O país cansou de esperar!

Urge alertar que não há mais espaço para o engodo, para a mistificação, para o descaso com a coisa pública, para a roubalheira que consome as riquezas da Nação.

A Pátria com que todos sonhamos quer ver resgatada a planilha de valores que adornam a bandeira da República: a ordem, a autoridade, o respeito aos contrários, a qualidade dos serviços públicos, a solidariedade, a grandeza de propósitos.

Não queremos ver a Pátria dividida, sob a égide da desordem, do vandalismo e das tensões que dividem os sentimentos da coletividade.

Que a representação política, em estrita obediência à vontade do povo, a quem pertence o mandato político, deixe de uma vez por todas de usar a res publica em benefício próprio.

Que as demandas coletivas sejam efetivamente atendidas!

Que se enterrem os galhos podres da árvore patrimonialista: o nepotismo, o filhotismo, o familismo, o caciquismo, o empreguismo, o fisiologismo!

Que o dia 12 de maio de 2016 reacenda as esperanças nacionais!

Por um Brasil forte, unido, solidário, ético, comprometido com os valores da Democracia, da Liberdade e do Estado Democrático de Direito!

Marcos da Costa
Presidente da OAB-SP