Lançamento de campanha e palestra marcam posse da Comissão de Erradicação do Trabalho Análogo ao de Escravo


20/06/2016

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Fábio Romeu Canton Filho, vice-presidente da OAB SP, e Luciana Barcellos Slosbergas, presidente da Comissão, seguram cartaz no lançamento da campanha - O trabalho escravo é assim: explora e depois joga fora

Tomou posse na noite da última quarta-feira (15/06), no plenário dos Conselheiros da OAB SP, a Comissão de Erradicação do Trabalho Análogo ao de Escravo. Fábio Romeu Canton Filho, vice-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil - Seção São Paulo, empossou os integrantes da Comissão e, no mesmo ato, outorgou a Luciana Barcellos Slobergas e a Eduardo do Nascimento Rocha, respectivamente, os títulos de presidente e vice-presidente. 

Durante a cerimônia a presidente da Comissão lançou a Campanha “O trabalho escravo é assim: explora e depois joga fora”. Os cartazes foram distribuídos para as Secionais e para as Subseções da OAB SP.  A ideia é dar apoio às vítimas após o resgate da condição de escravo, como explica Luciana Slobergas: “Nós percebemos que após a pessoa ser resgatada da condição de trabalho análogo ao de escravo, e de receber as suas devidas verbas rescisórias, ela volta para a condição anterior quando esse dinheiro acaba”. 

De acordo com a Luciana Barcellos Slobergas, o objetivo é mobilizar as autoridades públicas para a criação de políticas de inclusão social para que as pessoas que passaram por esta situação possam ter uma formação educacional melhor, e não se submetam mais a esse tipo de atividade tão degradante: “A advocacia tem que estar no cerne dessa questão e ajudar o Brasil a se livrar dessa terrível chaga”. 

O vice-presidente da OAB SP, Fábio Canton, lamentou a necessidade de tratar desse tema em pleno século XXI e disse que a Ordem paulista está empenhada em enfrentar e combater esse grave problema que assola a nossa sociedade. Presente no evento, o advogado Flavio Antas Corrêa, coordenador do Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas da Secretaria de Cidadania do Estado de São Paulo (COETRAE), solicitou ao vice-presidente uma parceria entre as entidades para buscarem saídas para enfrentarem esse problema. 


Palestra

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Eduardo do Nascimento Rocha, vice-presidente empossadao da Comissão de Erradicação do Trabalho Análogo ao Escravo recebe o documento de outorga na cerimônia de posse das mãos de Fábio Canton, vice-presidente da OAB SP

Em seguida, para encerrar a noite, foi apresentada a palestra “A demolição do trabalho em uma era de escravidão contemporânea” proferida pelo professor e sociólogo Ricardo Antunes, que primeiramente discorreu sobre o histórico da escravidão, tanto no Brasil como no mundo, e explicou como essa atividade foi aceita e enriqueceu diversos setores durante muitos séculos. 

Logo em seguida, explicou que a escravidão contemporânea se esparrama pelo mundo porque nem sempre é muito clara a linha divisória entre o trabalho escravo e o trabalho assalariado precário: “A terceirização do trabalho, que é uma imposição das grandes corporações, não é outra coisa senão a escravização moderna do trabalho”, explicou Ricardo Antunes para afirmar que o trabalho escravo moderno brasileiro se acopla à nossa origem escravista, o que escancara um problema mais grave dentro da nossa sociedade, como se fosse natural tratar negros, pobres, índios e todas as minorias como subalternos. Sobre a campanha lançada pela OAB SP, Ricardo Antunes acha vital que a entidade abrace essa luta que não é simples, pois possui muitos interesses contrários. Todavia, não é possível que o trabalho não seja visto como uma atividade que agrega valores sociais e dá dignidade ao ser humano, e se torne apenas uma mercadoria que você joga fora quando ela não interessa mais.     

Compuseram a mesa: Wilson Fernandes, vice-presidente judicial do TRT 2ª Região; Daniel Dias Moura, presidente da Comissão Estadual da Verdade e do Trabalho Escravo da OAB MG; Claudio Peron Ferraz, conselheiro Secional da OAB SP, e Otavio Pinto e Silva, conselheiro Secional da OAB SP.