OAB SP debate o trote universitário com especialistas do Direito e da Psicologia


09/06/2016

trote.jpg

Assunto recorrente a cada início de ano letivo, o trote universitário foi mais uma vez tema de debate (06/06), na Secional paulista da OAB. O advogado criminalista Wagner Cavalcante dos Santos, presidente da Comissão Especial Contra o Trote Universitário da OAB SP, abordou aspectos jurídicos que envolvem a questão. O advogado recebeu especialistas na área de psicologia que apresentaram, para uma plateia formada por estudantes e professores do ensino superior, um olhar distinto para essa prática que produz consequências terríveis não apenas para os alunos vítimas dessa violência, mas também para a família. 

O vice-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil - Seção São Paulo, Fábio Romeu Canton Filho, que foi também presidente da Comissão Especial contra o Trote Universitário, destacou o papel que a Ordem possui de alertar e conscientizar a sociedade sobre essa violência que faz parte da cultura nas escolas de nível superior. O vice-presidente sugeriu ainda ao advogado Wagner Cavalcante uma parceria com a Comissão da Mulher Advogada para, juntos, criarem providências para condenar a violência contra as jovens universitárias que são as maiores vítimas no caso do trote universitário, e muitas delas acabam sofrendo, inclusive, abuso sexual. 

Cavalcante dos Santos apresentou um pouco da história que envolvendo a questão como a origem do primeiro relato conhecido, que ocorreu em Olinda, em 1831, e  provocou a morte do estudante de Direito Francisco Cunha de Meneses. Para o advogado, não existe a necessidade de novas leis que tratem especificamente do trote, pois já há dispositivos legais no Código Penal que podem enquadrar as condutas praticadas. 

O tema “Aspectos psicológicos e psicossociais do trote universitário” encerrou o evento com o mestre em psicologia escolar Luiz Fernando Lopes e a psicóloga clínica educacional Marluci Delavi apresentando o trote como um rito de passagem. Segundo os especialistas, a atual sociedade continua a fazê-lo com violência, como era praticado na idade média e dá poderes ao indivíduo que apresenta uma personalidade agressiva, ao transmitir a ele um poder “imaginário” que lhe permite humilhar o seu semelhante. Luiz Fernando acredita que, num primeiro momento, para reverter esse processo de violência, a prática do trote solidário voluntário, promovido por algumas instituições de ensino, pode ser o caminho para minimizar o problema. Para Marluci, nós perdemos a consciência de pensar no outro como indivíduo, o que explica esse contínuo processo de repetição de casos de abusos contra os calouros. A psicóloga pediu aos presentes que não sejam omissos e que denunciem práticas de violência ocorridas no trote: “Nós temos a responsabilidade com quem está ao nosso lado; não é porque você não aplica o trote que não é responsável. Se você está vendo a violência acontecer, você precisa denunciar”, finalizou.