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OAB SP participa de seminário sobre 25 anos do massacre do Carandiru


09/10/2017

OAB SP participa de seminário sobre 25 anos do massacre do Carandiru
Marcos da Costa, presidente da OAB SP, Maria Amalia Pie Abibi Andery, reitora e Devair Araújo da Fonseca, bispo da Comisssão Pastoral de Segurança, na abertura do Seminário 25 anos do Massacre do Carandirú, evento organizado pela PUC e realizado no Teatro Tuca

O presidente da OAB SP, Marcos da Costa, marcou presença na abertura de seminário que abordou os 25 anos do massacre do Carandiru, bem como a ainda triste e atual realidade do sistema carcerário brasileiro, realizado na segunda-feira (25/09), no Teatro da PUC SP. A universidade foi a organizadora em parceria com a Arquidiocese de São Paulo. “Não sei se a tragédia maior se deu naquele dia, há 25 anos, ou se é a constatação de que, passado todo esse tempo, nós ainda não fomos capazes de efetivamente punir os culpados”, disse o dirigente. 

Na ocasião, Marcos da Costa convidou os presentes para o ato que a Ordem vai organizar no dia 2 de outubro na sede institucional, na rua Maria Paula, 35, no centro da capital paulista. O ato ’25 anos do Massacre do Carandiru sem Justiça’ conclama as autoridades judiciárias a darem prioridade aos processos relacionados ao caso. Até hoje, nenhum dos responsáveis pela ação da Polícia Militar, realizada sob o pretexto de conter a rebelião no Pavilhão 9 do presídio, foi condenado. 

À época, a OAB SP foi a primeira instituição a entrar no presídio, antes mesmo de a imprensa conseguir acesso. Lá, os advogados que integravam a Comissão de Direitos Humanos, Ricardo Carrara Neto e João Benedicto Azevedo Marques, fizeram visita ao local a pedido do então presidente da entidade, José Roberto Batochio. Após a visita e um extenso trabalho realizado pelos advogados, que somou depoimentos de presos, jornalistas e familiares, a Ordem enviou relatório ao Ministério Público. Azevedo Marques conta que o documento concluiu pela ocorrência de um massacre e uma invasão desnecessária. 

Marcos da Costa destacou que 84 dos 111 presos mortos sequer haviam sido sentenciados. “O Estado que os tinha sob custódia é o mesmo que foi incapaz de promover a segurança dentro do presídio e o mesmo que ainda não soube identificar condutas e promover a justiça”, reforça o dirigente. A OAB SP tem histórico ligado à defesa de encarcerados. A principal premiação da entidade leva o nome do advogado Franz de Castro Holzwarth – defensor dos direitos humanos morto em 1981 durante rebelião na cadeia de Jacareí.  

Dom Devair Araújo da Fonseca, da Comissão Pastoral da Segurança, Caridade e Justiça da Arquidiocese de São Paulo, disse que o episódio não pode ser esquecido se o objetivo é buscar alternativas para mudar o cenário. “Bom seria se estivéssemos aqui apenas para ver os resultados da Justiça praticada, mas infelizmente não é isso o que acontece”, disse. “Seria bom também que disséssemos que foi o último acontecimento de violência e injustiça, mas tampouco é essa a realidade. O que aconteceu no passado ainda se repete, talvez não com aquela grandiosidade, mas em pequenas doses, como um veneno que mata a nossa sociedade. O massacre do Carandiru não pode ser esquecido porque não terminou”.

A reitora da PUC SP, Maria Amalia Pie Abib Anderie, disse que a universidade organizou o encontro com satisfação. “É fundamental discutir um tema tão difícil quanto o da situação carcerária no Brasil e, muito especialmente, a temática de qual sociedade queremos ser: se continuaremos a brigar cada vez mais por encarceramentos, que ocorrem em condições cada vez mais desumanas, ou se vamos participar da construção de uma sociedade que lida com seus problemas da maneira um pouco mais construtiva”.

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