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OAB SP participa de evento em homenagem aos 30 anos da Carta das Mulheres aos constituintes


07/12/2017

OAB SP participa de evento em homenagem aos 30 anos da Carta das Mulheres aos constituintes
Gisele Fleury Charmillot Germano de Lemos, secretária-geral adjunta da OAB SP; Vinicius Schurgelies, presidente do Instituto do Legislativo Paulista; Eloisa Arruda, secretária de Direitos Humanos; Luiza Nagib Eluf, advogada

A secretária-geral adjunta da Seção São Paulo da Ordem dos Advogados do Brasil, Gisele Fleury Charmillot Germano de Lemos, representou a diretoria da entidade no evento que lembrou os 30 anos da Carta das Mulheres aos Constituintes promovido pela Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania, em parceria com a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, no Auditório Teotônio Vilela. Durante toda a tarde e o início da noite, palestras rememoraram a participação das mulheres na elaboração da Constituição Federal de 1988, trataram dos avanços e desafios relacionados com o direito das mulheres e, por fim, foi realizado no encontro o lançamento da cartilha “Mulher, a política também é para você”.

A secretária Municipal de Direitos Humanos e Cidadania, Eloisa Arruda, ressaltou na abertura do evento que ele é parte do calendário de atividades dos “16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra a Mulher” promovido pela pasta, em São Paulo, desde o dia 21 de novembro. “É muitíssimo importante lembrarmos os 30 anos da Carta das Mulheres aos constituintes, porque essa lembrança nos fortalece. Estamos falando de um momento em que a participação feminina era menor do que a que há hoje. Eu me vejo nos últimos dez anos em muitas fotos em mesas masculinas, nas quais sou a única mulher. Se pensarmos em 30 anos, estamos falando de mulheres corajosas que resolveram encampar uma luta que era profundamente importante e que abriu as portas para as jovens e não tão jovens que aqui estão. A atitude dessas mulheres nos deu coragem para vencer os preconceitos e buscar nossos espaços”, pontuou Arruda. “O caminho foi iniciado, mas ainda demanda muitas conquistas. Nós lançamos hoje uma cartilha que traz orientações para mulheres que querem entrar para a política. Precisamos desmistificar essa participação”, considerou.

Candidata nas últimas eleições, a advogada Luiza Nagib Eluf recordou as dificuldades enfrentadas na campanha. “As mulheres não conseguem se eleger porque não é fácil. Não passamos de 10% desde 1988”, lembrou. “A gente não evolui porque não temos dinheiro para campanha e nem acesso a ele. Além disso, mulher não faz acordão, as mulheres estão correndo por fora. Temos que fazer a administração pelo povo, mas isso não é demagogia. O que adianta estarmos bem, se todos estiverem mal? Porque a gente vai sair na rua correndo risco de bala perdida, assalto, a vida vira um inferno. Quem é civilizado sabe que ou todos estão bem, ou ninguém está bem”, discursou.

Gisele Fleury Charmillot Germano de Lemos sublinhou que o evento lhe trouxe boas lembranças dos bancos universitários e da luta cotidiana pelos direitos da mulher. “A Constituição foi promulgada no meio da minha faculdade, em 1988, e isso promoveu uma transformação. Eu sou a única mulher de cinco filhos e sempre tive que batalhar por espaço para não continuar na cozinha e, sim, ir para a faculdade para aprender outras coisas, além das atividades do lar”, recordou Gisele para homenagear as mulheres presentes e a própria mãe que lhe incentivou.

 A diretora ressaltou que também na OAB há um esforço para aumentar a participação feminina nos cargos de decisão. “Lutamos por mais mulheres na OAB em cargos de direção, já que das 27 Secionais temos apenas uma presidente mulher. Não temos uma mulher na diretoria do Conselho Federal, apesar de representarmos 49% do total de 1 milhão de advogados no país. Espero que na próxima eleição esse quadro mude significativamente. Nosso compromisso é com o aumento do número de mulheres na política tanto municipal, estadual, quanto nacional e na política de classe. Eu acredito que podemos fazer uma transformação. A representatividade nos cargos de poder é primordial. Esse quadro precisa mudar”, defendeu Gisele Fleury Charmillot Germano de Lemos.

Para Kátia Boulos, presidente da Comissão da Mulher Advogada da OAB SP, todos os avanços que são desfrutados atualmente foram plantados pela Carta das Mulheres aos Constituintes. “Se dizemos hoje que é difícil, imaginem há 30 anos! Mas os resultados estão aqui. No Conselho da Ordem éramos 14, somos 56, por exemplo. É verdade que vivemos tempos de intolerância e retrocessos que contrariam frontalmente a nossa Constituição Cidadã. Por isso a mulher tem que participar, sim, e não é favor nenhum. Não se pode impedir o acesso da mulher pelo fato dela ser mulher”, finalizou.

Compuseram a mesa diretora do evento, além dos citados acima, Vinicius Schurgelies, diretor-presidente do Instituto do Legislativo Paulista que representou a presidência da Alesp; Juliana Garcia Belloque, primeira subdefensora pública-geral do Estado de São Paulo; Maria Amélia Teles, ativista e promotora da Promotoras Legais Populares; Mona Zen, que representou a deputada federal Luíza Erundina, e Gislaine Caresia, coordenadora da Coordenação das Mulheres da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania. 

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