A Formatura do Rábula

Fonte: Grandes Advogados, Grandes Julgamentos - Pedro Paulo Filho - Depto. Editorial OAB-SP

Evaristo de Moraes

Consagrado como o maior advogado criminal do Brasil de seu tempo, Evaristo de Moraes somente veio a bacharelar-se aos 45 anos, em 1916, pela antiga Faculdade Teixeira de Freitas. Até então era um rábula. Discursando por ocasião de sua formatura, disse:
"Eis-nos, enfim, bacharéis - como toda gente, dirão com sediça ironia, os impertinentes chasqueadores do bacharelismo... Todos recordamos o que disse, com experiência própria, o grande Cícero: a advocacia foi em Roma o viveiro das honras - "est corpus advocatorum seminarium dignitatum".
Através dos séculos, vemos a advocacia enaltecida e glorificada pelo bens que promove, pelos males que evita: auxiliar da justiça, amiga natural da liberdade, inimiga capital da tirania, insuflando aos perseguidos coragem para afrontar os poderosos, a estes se impondo por sua sobranceira independência... seja permitindo ao recém-togado lembrar que, entre os muitos elogios prodigalizados à profissão da advocacia, é dos mais repetidos o do Imperador Leão, no escrito em que ele pondera que os advogados não são menos úteis à humanidade do que os que dão o seu sangue à pátria:
"A nossos olhos, os defensores do nosso Império não são somente os que combatem armados do gládio, do escudo e da couraça; também o servem os advogados, estes que, com a modéstia convinhável à verdadeira eloquência, dão esperança ao desgraçado que sofre, protegem-lhe a vida e os filhos."