O Brasil a limpo *

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Poucas horas nos separam de um dos momentos mais importantes de nossa história. Todos os brasileiros conscientes de seu direito de sufragar nas urnas os nomes de seus candidatos, provavelmente já formaram suas convicções. O eleitorado, integrado ao ideário pátrio, deverá acorrer ao pleito com a disposição de eleger os perfis que considera os melhores para comandar os rumos da nossa República.

Mesmo sob o reconhecimento de que a sociedade está profundamente dividida quanto aos protagonistas da cena eleitoral, a índole de nossa gente clama pelo fechamento do processo eleitoral de forma pacífica e ordeira. Diante da gravidade do momento nacional, em que a intolerância se acirra e o estado de carências de grande parcela da população se agrava, sempre advogamos por uma Pátria justa, humana e igualitária.

O dever da Secional Paulista da Ordem dos Advogados do Brasil, qual seja o resultado do pleito, será o de contribuir com os nossos esforços pela união de todos os segmentos de nossa sociedade, evitando conflitos, administrando tensões entre grupos, a fim de possamos construir o edifício da Cidadania brasileira. Não podemos deixar escapar a oportunidade de romper com um passado eivado de desencontros, desajustes e retrocessos, com vistas à consolidação do pleno Estado Democrático de Direito, onde se preservam os valores da justiça, do respeito à ordem e à igualdade de classes.

O Brasil precisa reencontrar os caminhos do desenvolvimento econômico e social. Esperamos que os eleitos - presidente, governadores, senadores, deputados federais e estaduais – sejam inspirados a cumprir metas e programas voltados para o bem-estar da coletividade, desprendendo-se de interesses pessoais e grupais, evitando o ódio que alimenta radicalismos, assumindo as funções de legítimos representantes da sociedade em defesa das verdadeiras demandas da Pátria.

Vivemos um momento extraordinário e único para renovar a fé e a esperança, infelizmente arrefecidas por promessas não cumpridas e apropriação da res publica por parte de máfias infiltradas nas entranhas da administração do Estado brasileiro. Não queremos mais caminhar a reboque do improviso, da incúria e do desprezo pelo sistema normativo. 

Devemos resgatar o apreço às instituições, em defesa dos fundamentos de nossa República. A política deve deixar de ser profissão para voltar a ser missão a serviço da sociedade. Missão comprometida com o renascimento de novos ciclos: o ciclo da Ética e da Moral; o ciclo da Democracia Direta; o ciclo da racionalidade; o ciclo da transparência; o ciclo da meritocracia; o ciclo da Consciência Cívica.

O Brasil carece se erguer, enfrentar com coragem os desafios que se apresentam. Impõe-se aos mandatários promover as reformas indispensáveis ao crescimento autossustentado do país. Reformas que possam contemplar amplo programa de mudanças: mudanças nos costumes da política, nos padrões para a busca de eficiência e de qualidade nos serviços públicos; e mudanças na forma de gestão do Estado. Os governos precisam criar estreitos elos com a comunidade política, hoje afastada de sua representação em função de episódios chocantes e situações escandalosas. Os eleitos não podem e não devem arredar pé de seus compromissos com o povo, a quem pertence o mandato.

Chegou a hora de passar o País a limpo, sob a crença de que a sociedade exige um basta à ilicitude, aos desvios e malfeitos.

A população clama por programas que efetivamente venham preencher as lacunas e atender as carências que continuam a fustigar a vida de milhões de brasileiros, a partir da deterioração nas áreas da saúde, educação, segurança pública, mobilidade urbana, cultura e empregabilidade. O clamor é geral por um grande Projeto de Nação.

Conclamamos cidadãs e cidadãos a escolher representantes verdadeiramente comprometidos com os valores da República. 

Marcos da Costa 
Presidente da OAB SP