MOBILIZAÇÃO DO CANSEI SERÁ EM FRENTE DA CATEDRAL DA SÉ


14/08/2007

Nesta sexta-feira (17/8) - quando se completa um mês do acidente do Airbus da TAM – será realizado ato público do Movimento Cívico pelo Direito dos Brasileiros (Cansei) , em frente à Catedral da Sé, com concentração a partir das 12 horas. O presidente da OAB SP, Luiz Flávio Borges D´Urso, fará uma breve abertura sobre o Movimento. Às 13 horas será realizado “ Um Minuto de Silêncio pelo Brasil” e , na seqüência, acontecerá o Culto Ecumênico com a presença de cinco celebrantes de diferentes religiões, seguindo-se a execução do Hino Nacional, puxado pelos cantores Ivete Sangalo e Agnaldo Rayol. " Quem não puder estar presente, deve fazer um minuto de silêncio onde estiver, como forma de prestar uma homenagem póstuma às vítimas, não só aquelas do acidente do Airbus, mas às vítimas da violência nas cidades brasileiras e nas estradas em todo o país. Também será uma forma do cidadão mostrar sua indignação frente aos problemas nacionais", ressaltou D´Urso.

Para o presidente da OAB SP, as confusões iniciais em torno do movimento já foram esclarecidas. “O movimento não tem qualquer viés golpista, não é contra ninguém, nem qualquer governo. Defende as instituições, porque são o sustentáculo do Estado Democrático de Direito. Não é um movimento de elite, de um segmento social, mas contempla todas as camadas da sociedade, aberto a todos que comungam de nossos ideais”, afirmou  D´Urso.

Também participaram da coletiva, artistas e desportistas que aderiram ao movimento, caso  do comentarista esportivo Osmar Santos, do cantor Agnaldo Rayol, do desportista Fernando Scherer (Xuxa), da atriz e apresentadora Adriana Lessa. Eles explicaram porque resolveram  entrar no Movimento. Para Osmar Santos foi por “amor ao Brasil”. Para Rayol, foi “ o sentimento de indignação por  tantas  coisas erradas que poderiam ser diferentes e infelizmente não são, porque as pessoas ficam paralisadas. Eu mesmo, para citar um exemplo, já fui assaltado duas vezes, por duas vezes tive um revólver apontado para minha cabeça.  O que me levou a aderir o movimento é exatamente o meu amor pelo país. Gostaria de ver o Brasil melhor,  com mais possibilidades, com mais segurança, com mais estudo, com mais tudo de bom que possa existir e que infelizmente ainda deixa a muito a desejar”, afirmou.

 

A adesão de  Fernando Scherer foi também por indignação. “ Eu também já sofri um atentado em São Paulo, levei dois tiros. A minha vida estava nas mãos dos bandidos. Acho que a gente vive isso no dia a dia no Brasil inteiro, não tem mais tranqüilidade. Acho que os governantes esqueceram quem os colocou lá e qual é a obrigação deles, que é fazer algo para o povo brasileiro. Sozinho não consigo fazer nada tão grande, mas apoiando esse movimento com a minha imagem e com a minha presença eu acho que posso fazer algo pelo Brasil e continuar meus projetos sociais, que faço há mais de dez anos para tentar fazer um Brasil”, justificou.

 

A atriz e apresentadora Adriana Lessa também ressaltou a questão da indignação. “ Quero deixar de ser fruto de uma pátria amada, sem ordem, sem progresso. Conheci quase todas as favelas do Rio de Janeiro, de São Paulo pelos seqüestros que passei, pelas situações que enfrentei. Nesses lugares as pessoas morrem até por um real. Em outros setores, outros lugares, os heróis estão na televisão, nas favelas, os heróis tem fuzil na mão. E por isso também que eu estou aqui. Como mulher, cidadã, brasileira, negra, que não quero mais ficar conhecendo todas as armas que conheço”.

 Sandra Assali – presidente da  Associação Brasileira dos parentes de vítimas de acidentes aéreos – também  presdente à coletiva tratou, igualmente, da indignação . “ É ela que nos move e me levou a buscar respostas a partir  do acidente do Fokker da TAM, em 1996, quando perdi  seu marido.   Hoje acompanhamos mais de 30 casos de acidentes aéreos. Temos uma proposta de mudança no valor dos seguros pagos pelas companhia aéreas, que hoje é de R$ 14 mil por vítima, e queremos que seja fixado em R$ 150 mil. Nós, como sociedade civil, não fazemos idéia da força que temos quando unidos.O que me leva a apoiar o movimento é a indignação, a indignação para buscar mudanças.”, comentou,