OAB-SP pesquisa opinião de advogados, estudantes, usuários e sociedade


10/08/1998

OAB-SP pesquisa opinião de advogados, estudantes, usuários e sociedade

Realizada pela InterScience e preparada pela Futura Propaganda, a pesquisa da OAB-SP ouviu 1.700 pessoas na Grande São Paulo, Interior (Campinas, Ribeirão Preto, São José dos Campos, outras cidades) e litoral. <br><br>

ADVOGADOS <br><br>

ESCOLHA DA PROFISSÃO <br><br>

Para 46% dos advogados entrevistados, a opção pela Advocacia foi feita por vocação. Para 26%, a escolha teve como impulso o idealismo e, para 17%, os melhores ganhos e a remuneração foram os determinantes. Já 11% dos entrevistados fizeram a escolha pensando em ter maior reconhecimento.<br><br>

PODERES CONSTITUÍDOS <br><br>

Os advogados esperam que a OAB-SP atue no desenvolvimento de projetos de leis/aprimoramento de leis (10%), na agilização do andamento dos processos (4%), na atuação junto a legisladores/juristas combatendo a burocracia e pressionando o Legislativo na aprovação de leis (3%) e apoiando a luta pela reforma agrária (2%). <br><br>

ATUAÇÃO DA OAB JUNTO À CLASSE <br><br>

As expectativas dos advogados quanto à atuação da OAB-SP são inúmeras: criar plano de saúde para a classe (10%), abaixar o valor da anuidade (7%), buscar a união da classe (5%), criar a Previdência dos advogados (4%), abrir espaço com acessos à sala, fax, computadores nos Fóruns e apoio financeiro aos advogados (3%), contribuir com a classe na iniciação dos recém-formados, melhorar as instalações para os advogados nas Juntas, divulgar os serviços oferecidos pela classe e promover encontros de confraternização (2%). <br><br>

APRIMORAMENTO PROFISSIONAL <br><br>

Quanto à capacitação profissional, os advogados esperam que a OAB promova cursos de aperfeiçoamento (18%), fiscalize a formação acadêmica (8%), tenha maior rigor no exame da Ordem, promova debates/palestras entre profissionais, crie serviços de orientação/esclarecimentos diversos (4%). <br><br>

PAPEL NA SOCIEDADE <br><br>

Para a metade (50%) dos advogados ouvidos, a OAB deveria ter como principal atuação junto à sociedade o atendimento gratuito à população carente, seguida pela informação à população sobre seus deveres e direitos (11%), atuar na defesa dos direitos humanos (6%), promover campanhas de esclarecimento sobre Direitos Humanos e combater a corrupção e impunidade e envolver-se na sociedade, com maior participação (2%). <br><br>

ADVOCACIA AVALIADA <br><br>

Para os advogados entrevistados, os critérios de avaliação da profissão devem levar em conta, primeiramente, a ética. Em segundo, a experiência e notoriedade e, em terceiro, a atuação junto à sociedade. A ética engloba honestidade, defesa dos clientes, atuação ética, cumprimento da lei, atuação contra a corrupção e amor à profissão. <br><br>

“A ética é uma preocupação dos advogados e da OAB, o que demonstra a afinidade da atual gestão com a classe. No Tribunal de Ética, nomeamos 200 assessores para agilizar o andamento dos processos e dar uma solução rápida e justa para os dois lados. Além disto, o Presidente da Ordem pretende ampliar as turmas julgadoras do Tribunal de Ética e Disciplina, criando mais 16 na Capital e 13 junto às Subsecções do Interior, que reunam mais de mil advogados inscritos, regionalizando-as. Também estuda a criação de mais seis Câmaras recursais, totalizando 10 ao todo. Para viabilizar este projeto, o presidente pretende obter um consenso dos conselheiros antes da reunião de setembro e implantá-lo imediatamente.”José Urbano Prates, presidente do Tribunal de Ética. <br><br>

ESTUDANTES <br><br>

AVALIANDO A PROFISSÃO <br><br>

A exemplo dos advogados, a maioria dos estudantes de Direito foi motivada a escolher sua profissão por vocação (34%). Nos demais fatores, divergem dos bacharéis. Buscam ter maior reconhecimento (28%), obter melhores ganhos/remuneração (23%) e por idealismo (14%). <br><br>

EXPECTATIVAS DOS JOVENS <br><br>

Entre os estudantes de direito entrevistados, as expectativas envolvendo a OAB-SP recaem sobre os seguintes pontos: maior rigor no Exame da Ordem (15%), promoção de cursos de especialização/aperfeiçoamento (11%), fiscalização da formação acadêmica, estágio obrigatório para recém formados e exames periódicos para advogados (4%) e promoção de debates/palestras com profissionais (2%).<br><br>

“A despeito do receio demonstrado pelos Estudantes de Direito na Pesquisa, o Exame de Ordem tem sido rigoroso dentro de sua função, eminentemente habilitatória. Presta-se a aferir se o bacharel se encontra apto ao exercício da advocacia. As mudanças introduzidas nesta gestão vêm contribuindo para ampliar seu rigor. Uma destas medidas foi a contratação de entidade profissional acostumada a prestar este tipo de serviço, que está incumbindo-se de toda a estrutura e operacionalização do Exame, com objetivos precípuos de aprimorá-lo. As provas e as respectivas correções continuam sendo feitas exclusivamente pela OAB. Isto é mais do que uma atribuição. É um dever.”
Vitorino Antunes Neto, presidente da Comissão de Estágio e Exame da Ordem. <br><br>

Universo Pesquisado <br><br>

Do universo dos estudantes entrevistados pela Pesquisa, 55% foram mulheres e 45% homens. <br><br>

POPULAÇÃO <br><br>

SOCIEDADE E OAB <br><br>

A população ouvida aponta a seguinte atuação prioritária para a OAB-SP: atendimento gratuito à população carente (31%), preços mais acessíveis aos necessitados (15%), informar a população sobre seus deveres e direitos (11%), envolver-se em movimentos populares (10%) e defender a sociedade dos poderosos (3%). <br><br>

“Apesquisa mostra o quanto a sociedade em geral se sente carente de atendimento dos serviços públicos e da necessidade de exercer a própria cidadania, com ênfase nas carências de informação sobre seus direitos. Embora a maioria demonstre incompreensão sobre as funções da OAB – entidade reguladora e valorizadora da advocacia e não de assistência jurídica à população carente, função esta que cabe ao Estado - esta pesquisa demonstra que a entidade goza de confiança da sociedade, o que gera grande responsabilidade e necessidade de ampliar seus serviços de natureza pública.”
Norma Kyriakos,
advogada militante. <br><br>

CRITÉRIOS DA PROFISSÃO <br><br>

A experiência/notoriedade do profissional (36%), seguida por atuação junto à sociedade (33%) e a ética (32%), constituem os critérios principais de avaliação no exercício da Advocacia pela população. <br><br>

USUÁRIOS <br><br>

SATISFAÇÃO COM OS SERVIÇOS <br><br>

A maioria dos usuários entrevistados mostrou-se satisfeita com os serviços advocatícios utilizados. Tanto que os dados da pesquisa resultaram nos seguintes totais: muito satisfeitos (48%), satisfeitos (22%), insatisfeitos (11%) e muito insatisfeitos (19%). <br><br>

AVALIAÇÃO DOS CONSUMIDORES <br><br>

Para os usuários, os critérios mais importantes para definir um bom profissional no ramo do Direito são: experiência/notoriedade (39%), ética (32%) e relacionamento com clientes/sociedade (29%). <br><br>

“A maioria está satisfeita e isto é muito positivo. O advogado, a exemplo dos médicos antigos, deveria informar melhor seus clientes, principalmente sobre os honorários e prazo da ação. Sem pressa, expor ao cliente o que está acontecendo, o que é melhor fazer e o porquê, mesmo que ele seja um leigo. O ideal seria que cada cidadão tivesse um advogado de família, que pudesse ajudar na constituição e administração de seu patrimônio. A OAB poderia até pensar em desenvolver uma ampla campanha conscientizando o advogado e o consumidor sobre estas questões.” <br>
Eunice Aparecida de Jesus Prudente, presidente da Comissão de Defesa do Consumidor. <br><br>