Banespa é tema principal do debate de Mário Covas


03/09/1998

Banespa é tema principal do debate de Mário Covas

O governador licenciado Mário Covas (PSDB) encerrou nesta quinta-feira, dia 3 de setembro, o Ciclo de Debates sobre os Candidatos ao governo do Estado realizado pela OAB-SP. Acompanhado de vários secretários de Estado e com auditório lotado, Covas polemizou com representantes do Banespa sobre a federalização do banco. “O Banespa nunca esteve na mão do meu governo. Tomei paulada de todo lado porque não quis privatizar o banco”, disse Covas, completando que se o Banespa tivesse ficado no Estado, estaria saneado como a Nossa Caixa, Nosso Banco. Ao final do debate, um grupo de manifestantes, à saída de Covas, gritou palavras de ordem contra a privatização do banco.<br><br>

Outro assunto polêmico foi a regularização do pagamento dos precatórios, levantado pelo presidente da OAB-SP, Rubens Approbato Machado. Covas afirmou que seu governo cumpre escala hierárquica de pagamento. “Temos tido dificuldades. Alguns precatórios não foram pagos em 96, mas em compensação havia precatórios de 91 que não tinham sido pagos, quando assumimos”, afirmou. Ainda em tom de desculpas, disse que na área pública, as coisas acontecem não é porque se quer ou não quer, mas se é possível ou não fazer.<br><br>

Em várias oportunidades, Covas criticou seus adversários, chamando-os de “perdulários”. Definiu Orestes Quércia como “réu Confesso”, ao lembrar uma afirmação feita pelo ex-governador ao final do governo: “ quebrei o Estado, mas elegi meu sucessor”. Também criticou a ânsia de publicidade de Paulo Maluf , ironizando que “Há mais publicidade do que Cingapura”. Comparou o candidato do PPB à galinha que bota um ôvo e anuncia para todo mundo. <br><br>

Covas dividiu sua exposição entre a herança recebida dos governos anteriores e a “cirurgia” que realizou para mudar o quadro. Utilizando-se de transparências fez comparações entre a sua gestão e as anteriores, de Fleury e Quércia. Afirmou que encontrou o Estado em colapso financeiro e que seu governo desenvolveu um programa de austeridade “inigualável”. “Quero desmistificar que a dívida do Estado cresceu, o que cresceu foi o acréscimo de juro. Ela foi renegociada com vantagem”, disse Covas. <br><br>

Ao longo de sua exposição, Covas também destacou os investimentos realizados pelo Estado e o número de geração de empregos de cada área. Apontou que foi o governo que mais equipou a PM e criou vagas prisionais , comparativamente às gestões anteriores. Rebateu as críticas de crescimento da violência em sua gestão, afirmando que este é um tema central em São Paulo há 40 anos.