Conad discute Discriminação Racial


24/03/2004

Conad discute Discriminação Racial

CONAD DISCUTE DISCRIMINAÇÃO RACIAL

O debate organizado pela Comissão do Negro e de Assuntos Anti-Discriminatórios da OAB SP (Conad) para comemorar o Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial (22/3) lotou o salão nobre, com direito a momentos de descontração, como quando o cantor Wilson Simoninha cantou a música de autoria de seu pai, Wilson Simonal, “Tributo a Martin Luther King”. A platéia cantou junto e bateu palmas.

Simoninha relatou o que aconteceu com seu pai, o cantor Wilson Simonal.“. Acho que, na verdade, ele foi usado como bode expiatório para desviar a atenção sobre o que estava acontecendo no país. Isso mudou, logicamente, a maneira de a gente enxergar o mundo e nos dá mais força para lutar contra o preconceito. Tanto que eu faço isso sempre que posso, através da minha música, dos meus shows”, disse.
Já com relação à situação dos artistas negros atualmente, Simoninha afirmou que existe uma certa aceitação porque eles sempre estiveram presentes na cultura brasileira, mas, mesmo assim, casos de preconceito continuam acontecendo em todas as esferas da sociedade. “Talvez, para os artistas, seja menos complicado do que para um advogado, engenheiro ou arquiteto, mas o preconceito, infelizmente, continua existindo”.

A cerimônia foi comandada pelo presidente da Conad, Marco Antonio Zito Alvarenga, que, em seu discurso, destacou que “a discriminação é uma doença que mata, agride e deixa marcas que não se esquecem”. O advogado também lembrou de ações que a sua comissão vem tomando para combater a discriminação como na atuação contra o site “Morte aos Pagodeiros” e no posicionamento e acompanhamento do caso do dentista Flávio Ferreira Santana, assassinado por policiais.

A presidente do Conselho de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra do Estado de São Paulo, Elisa Lucas Rodrigues, também palestrante, enfatizou o projeto para capacitação de professores da rede pública para ensino da história da África e seus descendentes.
Já o rabino Henri Sobel, presidente da Congregação Israelita Paulista, abriu o seu discurso dizendo que “eu sou o rabino da comunidade negra do Brasil” e enumerou diversos casos de guerras que ainda continuam acontecendo em função da discriminação. “O século XX se caracterizou pelo brutal assassinato de dez milhões de pessoas, pela eliminação de povos inteiros por meio da industrialização da morte. A intolerância ainda predomina no mundo de hoje, assim como o fanatismo”, esbravejou.

Mais informações, na Assessoria de Imprensa da OAB SP, pelos telefones 3291-8175.