SECCIONAL DIVULGA MAPA DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER


01/09/2004

SECCIONAL DIVULGA MAPA DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

Com base nos registros de ocorrências da malha de delegacias especializadas no atendimento à mulher, a Comissão da Mulher Advogada da OAB-SP finalizou - e divulga nesta quarta-feira (1/9), mapa estatístico inédito da violência contra as mulheres em todo o Estado de São Paulo , registradas neste ano. Foram classificadas agressões diversas, como lesões corporais dolosas, maus tratos, calúnia, difamação, constrangimento, ameaça, estupros, tentativas de estupros, atentado ao pudor e crimes sexuais sem violência. “Em todo o Estado foram registrados mais de 123 mil casos de violência contra a mulher, apenas nos cinco primeiros meses desse ano, mas o número pode ser muito maior, porque muitas mulheres não fazem boletim de ocorrência por medo ou vergonha”, diz a presidente da Comissão da Mulher Advogada, Maria Elisa Munhol.

Para o presidente da OAB-SP – Luiz Flávio Borges D’Urso – o mapa demonstra uma realidade que precisa ser combatida. “Precisamos erradicar todas as formas de violência contra a mulher, que hoje ainda sofre com a violência silenciosa, praticada na esfera doméstica”, diz D’Urso, ressaltando que a OAB SP vem mantendo convênio de assistência judiciária com o Estado, que funciona junto a algumas DDMs, para que a reação à violência não termine no BO, mas tenha resposta jurídica e leve à punição do autor do crime.

Na capital paulista, os dados provêm das nove subseções da Delegacia da Mulher: Centro, Sul, Oeste, Norte, Leste, Santo Amaro, São Miguel, São Mateus e Pirituba, que juntas contabilizam 21.888 casos com algum tipo de violência contra a mulher, mas apenas 241 prisões efetuadas. O bairro de Santo Amaro registrou, neste período, o maior número de ocorrências com 4.903 casos, incluindo, entre outros, 1.146 lesões corporais dolosas, 1.094 ameaças e 11 estupros. Também foi o bairro onde a Delegacia da Mulher mais efetuou prisões: 152. São Miguel Paulista vem em seguida com 4.179 casos registrados, sendo 923 lesões corporais; 1.321ameaças e 10 estupros. Foram 22 prisões.

Conforme o mapa, a região central revela-se a área com maior incidência de crimes sexuais. Houve 40 estupros, sendo 12 de autoria conhecida e 28 de autoria desconhecida, além de duas tentativas de estupros e cinco atentados violentos ao pudor. No entanto, teve a segunda menor taxa de lesões corporais dolosas, atrás apenas de Pirituba, que tem o maior número de boletins de ocorrência por constrangimento ilegal.

Em relação ao interior de São Paulo, foram analisados os dados de 116 municípios com Delegacias de Defesa da Mulher, que efetuaram 110.956 registros. Depois da Capital, a Região Metropolitana de Campinas, formada por 19 municípios e com 2,3 milhões de habitantes mostra-se a mais violenta contra a mulher. Em apenas sete desses municípios foram realizados 8.602 registros. Entre eles, Americana se destaca com 3.619 casos.

No interior, as grandes cidades também são as campeãs em crimes sexuais. Guarulhos lidera com 25 estupros contabilizados, seguida de Campinas com 22, Franca com 13, Ribeirão Preto com 12 e Santo André com oito. Entre todos os municípios analisados, apenas 26 não registraram crimes de estupro ou atentado ao pudor no período.

Mais informação na Assessoria de Imprensa da OAB-SP: 3291-8179/8182