SECCIONAL EXIGE APURAÇÃO DE VIOLÊNCIA CONTRA ADVOGADO


02/12/2004

SECCIONAL EXIGE APURAÇÃO DE VIOLÊNCIA CONTRA ADVOGADO

Em entrevista coletiva, realizada nesta quinta-feira (2/12), na sede da OAB SP sobre a tentativa de homicídio e abuso de autoridade que foi vítima o advogado Alexandre Rohlf de Morais, na madrugada de 30 de novembro para 1 de dezembro, às 2 horas da madrugada, em Osasco, por parte da Guarda Civil Municipal de Osasco - o presidente da OAB SP, Luiz Flávio D´Urso, definiu que vai encaminhar três representações; uma para a Secretaria de Segurança Pública, uma para o prefeito de Osasco, Celso Giglio, a quem a Guarda Municipal está subordinada e uma ao Delegado Geral de Polícia, Marco Antonio Desgualdo, pedindo providências no sentido de apurar o caso e punir os autores.

Para D´Urso, foi um fato gravíssimo, bárbaro que ocorreu com um advogado, mas que poderia atingir qualquer cidadão. “ Não se pode admitir que aconteça em São Paulo, o que está acontecendo no Rio de Janeiro. Alguém erra o caminho, entra em um determinado local e é recebido à bala, porque nesses espaços o Estado não tem comando, mas o crime organizado que ali se instalou. Foi uma reação desproporcional , o Alexandre está vivo por milagre, o carro dele está com várias perfurações à bala ”, comentou D´Urso. Segundo o presidente da OAB SP, “estamos diante de um homicídio tentado, de um abuso de autoridade , ou seja, de um elenco de crimes que precisam ser apurados”.

Na coletiva, o advogado Alexandre Rohlf de Morais fez um relato emocionado da violência que sofreu na madrugada do dia 1 de dezembro. Depois de participar de um jantar de confraternização para um magistrado em Alphaville, em Barueri, o advogado Alexandre Rohlf de Morais, 35 anos, perdeu-se ao voltar para São Paulo, fazendo uma conversão por dentro da cidade de Osasco. Por não conhecer o caminho, entrou numa rua sem saída e parou próximo a um posto de gasolina e ao motel Imperium e sentiu uma série de disparos. Ele foi atingido de raspão no rosto e foi atingido nas costas.

Alexandre parou o carro e ainda tentou se identificar, como advogado, membro do Conselho de Segurança, mas sofreu um verdadeiro cerco, foi algemado, apanhou e foi insultado verbalmente. “ Fui trato como bandido, xingado, agredido, chorei e reagi porque queriam que eu entrasse na viatura e temia pela minha vida. Isso levou cerca de 20 minutos”, disse o advogado.

Alexandre só foi salvo porque, ainda no carro, tinha ligado ao amigo pedindo por socorro. O juiz acionou a Polícia Militar, que chegou no local, identificou o engano e determinou que as algemas fossem removidas. Como não havia lugar na viatura da PM, Alexandre, que sangrava muito foi levado para o hospital na viatura da Guarda Municipal. “ Desde a chegada da PM eles mudaram o discurso, disseram que estavam atirando em mim e que eles vieram me defender, que eu estava confuso. No hospital, também pressionaram o médico para saber se tinha algum projétil no meu corpo “, afirmou o advogado. Alexandre calcula que havia 3 viaturas e 10 guardas municipais, sendo que 4 participaram diretamente da agressão a ele. Ele afirmou, ainda, que consegue identificar os agressores. Foi registrado Boletim de Ocorrência no 5 DP de Osasco, mas embora houve situação de flagrante, o delegado Anderson Pires Giampaloli, não deu voz de prisão aos agressores.

Segundo o presidente da OAB SP, havia condições jurídicas para decretação de flagrante. “ Isso depende do convencimento da autoridade policial”, ressaltou. Após a coletiva, todos desceram para ver o carro de Alexandre , estacionado na sede da OAB SP, que já havia sido periciado. Foi encontrado um projétil alojado no banco do motorista.

A coletiva contou com a presença dos presidentes das subsecções de Barueri, Antonio Frederico Carvalheira de Mendonça; Osasco, José Paschoal Filho e Santana, Rui Augusto Martins, além dos presidentes das Comissões de Direitos e Prerrogativas, Mario de Oliveira Filho; Direitos Humanos, Hédio Silva Júnior e da Comissão Especial de Acompanhamento de Inquéritos dos Advogados Vítimas de Homicídio.Eduardo Cesar Leite.

Mais informações, na Assessoria de Imprensa da OAB SP, pelos telefones 3291-8175/82.