DEBATE SOBRE O TÚNEL 9 DE JULHO


15/12/2005

DEBATE SOBRE O TÚNEL 9 DE JULHO

DEBATE SOBRE O TÚNEL 9 DE JULHO

" A OAB SP faz a defesa do patrimônio histórico e cultural de São Paulo e também se coloca como palco para os grandes debates, na busca de uma solução conciliatória. Sob essa ótica discutirá a polêmica sobre a denominação do túnel 9 de julho", afirma o presidente da OAB SP, Luiz Flávio Borges D´Urso. Na gestão anterior, o Executivo Municipal, alegando que o túnel não tinha nome oficial, designou-o como sendo médico Daher Elias Cutait.

Na próxima sexta-feira (16/12), às 10 horas, no salão nobre da OAB SP acontece uma exposição e a preparação de um Manifesto Público sobre a troca do nome do “Túnel 9 de Julho”, na região central de São Paulo, que remete ao levante pelo cumprimento da Constituição Federal: a Revolução Constitucionalista, iniciada em 9 de julho de 1932.

Participam do evento representantes de mais de 40 órgãos públicos entidades da sociedade civil, como Associação Comercial de São Paulo, Sociedade Veteranos de 32 – MMDC, Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, Associação dos oficiais da Reserva da PM, Centro do Professorado Paulista, entre outros.
Estarão presentes o coordenador do evento e presidente da Comissão de Resgate da Memória da Seccional, Fábio Marcos Bernardes Trombetti; o presidente da Comissão de Relações Corporativas e Institucionais da OAB-SP, JB Oliveira; o deputado estadual coronel PM Ubiratan Guimarães; e o vereador Aurélio Nomura.

A Revolução Constitucionalista surge quando, depois de tomar o poder, num golpe militar (1930), Getúlio Vargas não respeitou a autonomia de São Paulo, nomeando um interventor externo e destituindo o Presidente de São Paulo. Essa postura ditatorial desagradou aos paulistas, sobretudo o comando do Partido Republicano Paulista (PRP), que não aceitou o fato de São Paulo ser comandado por um estranho. Por isso, desencadeou-se uma intensa propaganda contra o governo federal, que instituiu célebres lemas, como "São Paulo dominado por gente estranha!"; "São Paulo conquistado"; "Tudo pela Constituição". O povo foi às ruas pedir a convocação imediata de Assembléia Constituinte, que levou o interventor João Alberto ao pedido de demissão. Getúlio Vargas nomeou então um paulista, o diplomata Pedro de Toledo, mas a situação estava fora de controle das instituições.

O descontentamento aumentava a cada dia. Em 22-23 de maio de 1932, estudantes e populares queimaram as redações dos jornais que apoiavam o governo de Getúlio Vargas e, nestes conflitos, foram mortos quatro estudantes de Direito: Miragaia, Martins, Dráusio e Camargo. O nome dos quatro serviu para denominar o movimento paulista - MMDC, cuja preservação da memória cabe à Sociedade Veteranos de 32. No dia 9 de Julho, começava a Revolução Constitucionalista, com milhares de soldados partindo para as trincheiras.

“Representantes de todas as classes de trabalhadores e empresários formaram uma rede de solidariedade aos combatentes e para a mobilizar os recursos humanos e materiais necessários na luta em defesa dos princípios constitucionais. Essa lição de coragem e de apego às leis não pode ser perdida e serve de estímulo para que possamos lutar em defesa da democracia e Estado Democrático de Direito”, ressalta o presidente da Comissão de Resgate da Memória da OAB-SP, Fábio Marcos Bernardes Trombetti.

Mais informação na Assessoria de Imprensa da OAB-SP, tel. 3291-8179/8182