MANIFESTAÇÃO DE GISELA ZILSCH


19/01/2006

MANIFESTAÇÃO DE GISELA ZILSCH

MANIFESTAÇÃO DE GISELA ZILSCH


Embora não concorde com a publicação, na íntegra, da resposta da socióloga Heleith Saffioti, acho que, na verdade ela só veio engrandecer o trabalho apresentado por Cicero Harada.
Com efeito, no afã de ofender nosso colega e , gratuitamente, ofender o Papa João Paulo II e o atual Papa , sumo pontífice da Igreja católica, acaba por fortalecer os argumentos apresentados por Cicero, fruto de sua competência, qualificação e conhecimento.
As ofensas apresentadas e ausência de argumentos reais e de peso acabaran levando a sra. socióloga como, de resto, já está acontecendo com os defensores do aborto total e irrestrito, a agredir , ao invés de dialogar, ofender ao invés de tentar convencer...
Em nome do direito de resposta solicito que seja aberto espaço a nosso colega Cicero Harada para que possa replicar as afirmações da referida sra. e as ofensas que cometeu.
Estamos recebendo e.mails de todo o Brasil dando apoio à tese e palavras de Cicero e sabemos que a grande maioria da população brasileira é contra o aborto tal como concebido no malfadado projeto nº 1.135.
Como advogada, como mulher, posso afirmar que a tese do aborto total e irrestrito está , literalmente , falida.
De fato, a tese da legalização do aborto, total e irrestrita ( já existe a legal para os casos de estupro e sério risco à vida da mãe) que nada mais é do que uma tese machista e nada tem de feminista.
Com efeito,legalizar o aborto tal como prevê o Projeto de Lei 1.135/91, com o substitutivo apresentado pela relatora Jandira Feghali, nada mais é do que oferecer um premio ao pai irresponsável, ao marido, amante, namorado que foge ao seu dever e deixa para a mulher o trauma de abortar e ter , pelo resto de sua vida, seqüelas físicas, psicológicas e morais.
As mulheres brasileiras, em sua grande maioria não são favoráveis à legalização do aborto. Mas porque será que não se faz um plebiscito para que, à exemplo do que ocorreu com o desarmamento e com maior razão, se consulte a população brasileira sobre tão importante tema?
Cumpre-me evidenciar que a razão dada para a legalização e defendida pela relatora do projeto e autora do substitutivo, já caiu por terra.
Com efeito, no afã de tentar, a todo custo e para contentar suas eleitoras, aprovar o malfadado projeto, referida deputada, não teve o menor escrúpulo em abrir mão da própria razão dada à iniciativa, qual seja, questão de saúde pública e possibilidade da rede pública (SUS) e convênios realizarem os abortos de forma a que as mulheres em situação financeira precária pudesse realizá-los.
Assim, foi excluído importante dispositivo , na ultima redação dada, que é o referente à obrigatoriedade, pelo SUS e pelos convênios, da realização do aborto. Nada , portanto, justifica o tal projeto.
Na verdade , à mingua de amparo às mulheres, ´com assistência , antes e após a maternidade, escola e creche paras seus filhos, o governo federal quer "premiar" as cidadãs brasileiras com esse "mimo", de incoerência, violência e insensibilidade.
Para a fome : zero!
Para a educação:zero!
Para a segurança:zero!
Para a saúde : zero!
Em contrapartida, "autoriza" as mulheres a matarem seus filhos e o faz porque não lhes dá condições dignas de criá-los !!!!
Não é isso que nós mulheres brasileiras queremos. Não nos subestimem.
Queremos que o governo e o sr. presidente da república nos respeitem e respeitem nossos direitos humanos e nossa condição de cidadãs. Queremos que respeitem a nossa Constituição Federal.
Queremos e exigiremos que respeitem a vida, em todos os seus aspectos e em todas as suas manifestações.
Chega de demagogia, chega de violência.
A propósito , como já se sabe, as tartarugas têm preservado o seu direito de reprodução pois, através do projeto Tamar, já existe , aprovado, todo um trabalho de cuidado e segurança para a preservação dos ovos e nós, mulheres deste Brasil, teremos também os mesmos direitos?
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GISELA ZILSCH - Presidente Nacional da Associação Brasileira das Mulheres de Carreira Jurídica - Procuradora do Estado de São Paulo - aposentada - Membro da Comissão de Defesa da República e da Democracia da Seccional de São Paulo da OAB - Advogada - Conselheira do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher