ARTIGO: PRESSÃO ALTA


22/08/2007

Viviane Sampaio

A pressão alta ou hipertensão arterial sistêmica deve ser considerada um problema de saúde pública. É um importante fator de risco cardiovascular e sua incidência gira em tomo de 20% na população. Grande parte dos hipertensos desconhece sua condição e, dos que conhecem, apenas cerca de 30% apresentam um controle adequado.

No Brasil, apesar de não haver pesquisas sobre a incidência com representatividade nacional e com padronização adequada, os estudos localizados mostram valores elevados.[1] Por exemplo, em 2003 no Paraná constatou-se a prevalência da hipertensão na população igual a 35,5%.[2]  

 

O que é hipertensão? A hipertensão arterial é uma doença que ataca os vasos sangüíneos, coração, cérebro, olhos e pode causar paralisação dos rins. Ocorre quando a medida da pressão se mantém freqüentemente acima de 140 por 90 mmHg[3].

 

Como saber se tenho hipertensão? O diagnóstico é feito apenas através da verificação da pressão arterial, visto que, na maioria das vezes, a doença não apresenta nenhum sintoma.

 

Quais são os sintomas? A pressão alta é a famosa assassina silenciosa, pois, geralmente, somente apresenta sintomas quando a pressão sobe muito: podem ocorrer dores no peito, dor de cabeça, tonturas, zumbido no ouvido, fraqueza, visão embaçada e sangramento nasal.

 

Como tratá-la? A pressão alta não tem cura, mas tem tratamento. Pode ser controlada com medicamentos e um estilo de vida saudável adquirido por meio das sugestões a seguir:

 

1) controle do estresse psicológico e aumento da qualidade de vida;

 

2) controle de peso; não abuso do sal e dos alimentos gordurosos;

 

3) prática de atividade física regular;

 

4) abandono do fumo e moderação do consumo de álcool;

 

5) se for o caso, controle do diabetes.

 

No caso da hipertensão, por que também é importante fazer terapia cognitiva?

 

Porque abaixa a pressão. Em abril de 2006, foi apresentado na Revista Médica do Chile um estudo da eficácia da terapia cognitiva com hipertensos. A terapia foi feita em 8 sessões de 2 horas durante o período de um mês. A pressão arterial sistólica considerada normal é de no máximo 120 mmHg e a diastólica 80 mmHg. Ao iniciarem a terapia cognitiva, os pacientes apresentaram 135 mmHg de pressão sistólica e 87 mmHg de diastólica. No final da terapia cognitiva, os pacientes abaixaram sua pressão para 123 mmHg sistólica e 73 mmHg diastólica. [4]

Portanto, a psicoterapia cognitiva tem se mostrado um recurso complementar eficaz ao tratamento medicamentoso.

 

Viviane Sampaio é Psicóloga Clínica e Advogada e Mediadora de Conflitos. psicologavivianesampaio@yahoo.com.br


[1] Olmos, R. D. & Lotufo, P. A. Epidemiologia da hipertensão arterial no Brasil e no mundo. Revista Brasileira de Hipertensão, 9(1), 21-23. Jan-Mar, 2002.

[2] Oliveira, R. Z., & Nogueira, J. L. Hipertensão arterial no município de Cianorte, estado do Paraná, Brasil. Acta scientiarum. Health sciences, 25(1), 75-79. Jan-Jun, 2003.

[3] Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde.  Ministério da Saúde - Hipertensão: vida saudável o melhor remédio. (Folder). Abril, 2004.

[4] Moreno B, Mónica; Contreras R, Daniela; Martínez S, Natalia; Araya G, Patricia; Livacic-Rojas, Pablo; Vera-Villarro, Pablo. Evaluación del efecto de una intervención cognitivo-conductual sobre los niveles de presión arterial en adultos mayores hipertensos bajo tratamiento médico. Rev. Med. Chile,134(4,433-440. Abril,  2006.