ARTIGO: ADVOCACIA - PROFISSÃO ESTRESSANTE


27/08/2007

Viviane Sampaio

Quem trabalha na advocacia sabe como a profissão é estressante. Prazos fatais; montanha de processos e jurisprudência para serem lidos e estudados; filas para entrar e sair do fórum, pegar o elevador, retirar o processo ou pagar uma guia; e, o mais difícil na profissão, lidar com o cliente insatisfeito cobrando agilidade e rapidez na prestação do serviço. Entretanto, poucos são os advogados que percebem a dimensão exata de como sua saúde está sendo afetada pela profissão. 

De um modo geral, a porcentagem na população de adultos nos Estados Unidos com problemas relacionados ao abuso de álcool é de 10%, porém, segundo uma pesquisa realizada em Washington, este número é de 15% entre os advogados. Além disso, a depressão também é uma questão preponderante nesta profissão. Em 1991, foram entrevistados 12.000 trabalhadores na Universidade Johns Hopkins em Baltimore (EUA) com o intuito de identificar a incidência de depressão entre os profissionais. Os advogados ocuparam o 1º lugar da lista![1]

Por que trabalhar com Direito é estressante? O Direito é uma ciência humana que regula a forma que as pessoas devem se comportar na sociedade. Para se manter a paz social, é preciso que as pessoas observem a Lei. Ocorre que isso nem sempre acontece e, assim, surgem os problemas. Consequentemente, os advogados são contratados e inseridos nas relações sociais para defender os direitos dos ofendidos e tentar fazer justiça.

O nervosismo e a ansiedade são partes integrantes do trabalho que está sendo realizado pelo advogado. Se tudo no processo acontecer conforme as expectativas do profissional e do cliente, as emoções desagradáveis serão menos intensas e se dissiparão, e o resultado para todos será gratificante. Porém, quando as expectativas não são alcançadas no processo tanto para o cliente quanto para o próprio advogado, as emoções como frustração, raiva, tristeza, insatisfação e o sentimento de estarem sendo injustiçados surgem com muita força e são desagradáveis. Nestas situações, o advogado tem que, além de dar conta de suas próprias emoções, administrar também as emoções de seus clientes para conseguir se manter na profissão. Advogados que trabalham com Direito de Família e Sucessões são os mais afetados por lidarem com situações e assuntos onde as emoções são mais intensas entre as partes.

Vale ressaltar que lidar com nossos próprios sentimentos já é uma tarefa muito difícil. Imagine lidar diariamente com as emoções dos outros. Isso é uma missão quase impossível para quem não é habilitado a trabalhar com isso como os psicólogos clínicos.

As emoções acumuladas e ignoradas no dia-a-dia da prática advocatícia geram um desgaste mental, emocional e físico no profissional. Quem não se cuidar, corre o risco de se tornar um profissional estressado, frustrado, infeliz, improdutivo ou, pior, doente.

Como administrar o estresse? Algumas opções para relaxar são:

 

1) sair com colegas e amigos com maior frequência para uma conversa despreocupada;

 

2) desfrutar de mais tempo com qualidade junto aos familiares;

 

3) fazer psicoterapia para ampliar a capacidade de administrar as próprias emoções e as dos outros tanto no plano profissional quanto pessoal;

 

4) fazer exercícios físicos para obter energia e combater o cansaço físico;

 

5) praticar algum hobby;

 

6) estabelecer uma rotina para dormir e comer para estabilizar o organismo biologicamente.

 

Cada advogado tem que adotar a melhor maneira de diminuir seu estresse. O importante é ter consciência do impacto disso em sua produtividade no trabalho e também em várias outras áreas de sua vida, seja na pessoal, conjugal, familiar e, principalmente, na saúde física. Portanto, cuide-se!

Viviane Sampaio. Psicóloga Clínica, Advogada e Mediadora de Conflitos. Estrangeiros (Psicoterapia em inglês). Pós-Graduação em Terapia Cognitiva (USP), e-mail: psicologavivianesampaio@yahoo.com.br



[1] Rick. B. Allan. “Lawyers: Are we a profession in distress?”. The Nebraska Lawyer. p. 23-24. October, 1998.