D´URSO VÊ COM RESERVAS SANÇÃO DE PROJETO QUE PREVÊ USO DE VIDEOCONFERÊNCIA EM CASOS EXCEPCIONAIS


09/01/2009

“A sanção presidencial do projeto lei que autoriza a videoconferência em casos excepcionais não seria necessária se o juiz fosse à unidade prisional para interrogar o acusado preso , preservando a segurança, a evitar eventual fuga ou resgate, não gastando dinheiro, nem mobilizando policiais para a escolta e evitando mais gastos com a própria aparelhagem da videoconferência”, diz o presidente da OAB SP, Luiz Flávio Borges D´Urso, que vê com preocupação o PL de autoria do senador Aloísio Mercadante, sancionado pelo presidente Lula na última quinta-feira (8/1), que prevê uso de videoconferência nos casos excepcionais de risco à segurança pública, garantia à integridade das vítimas e testemunhas e diante de dificuldades de locomoção do réu.

 

Para o presidente da OAB SP, Luiz Flávio Borges D´Urso, a sanção do projeto pode criar polêmicas na sua aplicação e questionamentos junto ao Supremo Tribunal Federal , além do risco da exceção virar regra. 

“O homem preso, independente da sua culpa, vale dizer podendo tratar-se de um inocente, tem o direito de ser interrogado pessoalmente pelo juiz que irá julgá-lo. Afastar o acusado fisicamente do juiz, no único momento no qual  pessoalmente, de viva voz, expõe seus argumentos é descumprir o princípio basilar da defesa, previsto constitucionalmente. Por mais grave que seja o crime que se imputa a alguém, não se pode suprimir garantias constitucionais da defesa sob pena de se ver triunfar injustiças”, alerta D´Urso.